Com a decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos de anular as tarifas impostas pela administração norte-americana, na sexta-feira, os consumidores terão uma taxa tarifária efetiva média geral de 9,1%, mantendo-se como a mais elevada desde 1946, excluindo 2025. Se as mesmas tarifas tivessem permanecido a taxa seria de 16,9%, de acordo com os dados do Yale Budget Lab.
Os dados do Budget Lab, tendo em conta os efeitos macroeconómicos e as respostas da Reserva Federal norte-americana (Fed), o nível de preços “aumentará 0,6% no curto prazo, representando uma perda de cerca de 800 dólares (678 euros à taxa de câmbio atual) para um agregado familiar modelo e 400 dólares (339 euros) para as famílias que se encontram na base da distribuição de rendimentos. Com a manutenção das tarifas da administração norte-americana os preços aumentariam 1,2% em vez dos 0,6% que devem resultar da anulação das tarifas.
Relativamente ao preço das commodities (matérias-primas na tradução portuguesa) a decisão do Supremo Tribunal faz com que o restante conjunto de políticas tarifárias em vigor no início de fevereiro de 2026 “incide principalmente sobre metais, veículos e eletrónica”. Num cenário em que se tivessem mantido as tarifas “o ónus teria recaído ainda mais sobre os setores do vestuário e da alimentação” diz o Budget Lab de Yale.
Sobre o efeito no Produto Interno Bruto (PIB) o Budget Lab calcula que “o impulso fiscal positivo temporário proveniente dos reembolsos [das tarifas] compensará aproximadamente os impactos negativos no crescimento decorrentes das tarifas remanescentes” em 2026. “A longo prazo, a economia dos Estados Unidos será persistentemente 0,1% inferior, o equivalente a cerca de 30 mil milhões de dólares (25,4 mil milhões de euros) anuais em 2025. Caso as tarifas não tivessem sido invalidadas, o impacto negativo no crescimento a longo prazo teria sido de 0,3%”, assinala o Budget Lab.
Relativamente ao mercado de trabalho o Budget Lab, da Universidade de Yale, diz que estima que a taxa de desemprego seja cerca de 0,3 pontos percentuais superior até ao final de 2026 devido às restantes tarifas, enquanto que no cenário em que se tivesse mantido as tarifas o impacto no emprego em 2026 “seria aproximadamente o dobro”.
Quanto aos efeitos no Produto Interno Bruto (PIB) sectorial e no emprego a longo prazo, o Budget Lab diz que no longo prazo, as tarifas representam uma “compensação”, sublinhando que a produção industrial dos Estados Unidos “expande-se 1,2%, mas estes ganhos são mais do que compensados por outros setores: a produção da construção civil contrai 2,4% e a agricultura diminui mais de 1%”. A mesma instituição refere que estes padrões relativos “são semelhantes com ou sem as tarifas”.
Ao nível dos efeitos fiscais, o Budget Lab adianta que todas as tarifas até fevereiro de 2026 deverão arrecadar cerca de 1,2 triliões de dólares (1,1 biliões de euros) entre 2026 e 2035, “embora o crescimento económico mais lento reduza as receitas e leve a receita líquida dinâmica para um trilião de dólares (950 mil milhões de euros)”. Com o efeito das tarifas “estes valores seriam mais do dobro”.
“As implicações económicas da decisão do Supremo Tribunal são complexas devido a dois fatores. Em primeiro lugar, no curto prazo, as empresas procurarão agressivamente o reembolso das tarifas pagas em 2025, o que tem grandes efeitos sobre as receitas e efeitos distributivos incertos. Em segundo lugar, o atual governo declarou a sua intenção de substituir as tarifas por tarifas baseadas noutras autorizações, mas ainda existem dúvidas sobre o calendário e outros aspetos relacionados com estas medidas”, assinala o Budget Lab de Yale.
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