A Reserva Federal deixou os juros inalterados na reunião desta quinta-feira, sem surpresas, mantendo as taxas de referência em máximos de 2001. É a segunda decisão desta natureza nas últimas três reuniões de política monetária norte-americana, um possível sinal de que o pico dos juros já foi alcançado.
A decisão era largamente esperada, com a FedWatch Tool, uma ferramenta de monitorização das expectativas do mercado, a atribuir 99% de probabilidade à mesma. O mercado perspetiva o pico dos juros no atual intervalo de 5,25% a 5,5%, colocando agora a questão sobre quanto tempo ficará a taxa de referência neste nível, antes dos esperados cortes.
A reunião de setembro serviu também para atualizar projeções macro, com o diagrama de previsões por membro do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC, em inglês) a apontar para mais uma subida este ano, antes de as taxas começarem a descer em 2024. A média das projeções passa por dois cortes no próximo ano.
Este cenário passa por menos dois cortes de taxas do que havia sido previsto em junho, um cenário consistente com a revisão em alta da inflação. A variação nos preços este ano será de 3,3%, ou seja, 0,1 pontos percentuais (p.p.) acima do projetado antes, ao passo que a previsão para 2024 se mantém inalterada em 2,5%. Para 2025, ligeira revisão em alta de 2,1% para 2,2%, ou seja, a admissão implícita da Fed de que a pressão nos preços se manterá por mais tempo do que previa.
Ainda assim, o indicador subjacente fechará o ano menos elevado do que se esperava, sofrendo um corte de 3,9% para 3,7%.
Do lado do crescimento, os 1,0% previstos em junho para este ano sofreram forte revisão em alta, com a Fed a esperar agora um avanço de 2,3% no PIB norte-americano este ano. Para 2024, a expectativa é de 1,5%, ou seja, acima dos 1,1% anteriormente estimados.
A inflação tem vindo a dar sinais de recuo, apesar das leituras mais recentes em alta, estando longe do pico de 9,1% em junho do ano passado. Após duas subidas, agosto registou uma inflação de 3,7%, ao passo que a subjacente continuou a recuar para 4,3%. O indicador mais utilizado pela Fed para avaliar a pressão nos preços na economia americana, o índice de gastos de consumo (PCE), também acelerou em julho de 3% para 3,3%, embora mostrando uma tendência de recuo no último ano.
[notícia atualizada às 19h16]
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