EUA: Onde Trump ganhou por causa da economia, está agora perder por causa da pandemia

Uma reportagem da Reuters pretende demonstrar que a gestão da pandemia por parte da Casa Branca é o que está verdadeiramente a derrotar as hipóteses de Donald Trump se manter como presidente.

Erin Scott/REUTERS

Mesmo nas zonas onde o presidente Donald Trump ganhou as eleições em 2016 – muito à custa de promessas na área da economia que vieram a ser implementadas com assinalável sucesso até ao final de 2019 – os eleitores, segundo uma reportagem da agência Reuters, não se conforma, este ano, com a forma como a Casa Branca lidou com a pandemia de Covid-19.

Sendo evidente que a pandemia interferiu com uma profundidades proporcional ao grau de pobreza com cada um dos cidadãos norte-americanos – sendo que já estão contabilizados cerca de 219 mil mortos – há uma grande mole de eleitores que não perdoam a Trump.
Conta a reportagem da Reuters que Tanya Wojciak, de 39 anos e a viver no nordeste de Ohio, disse que o uso irregular de máscaras por parte de Trump e as repetidas tentativas de minimizar a gravidade do coronavírus – mesmo depois de ele mesmo ter sido hospitalizado – “não é de forma alguma uma atitude presidencial” e que se arrepende de ter votado em Trump há quatro anos.

Mais a leste, em Bangor, Pensilvânia, Leo Bongiorno diz que desta vez também votará no candidato democrata, Joe Biden, depois de não ter votado em ninguém em 2016. Os clientes da cervejaria e restaurante de Bongiorno, a Bangor Trust Brewing, continuam a ser muito escassos mesmo depois de a Pensilvânia ter começado a aliviar as restrições.

O empréstimo de ajuda federal que recebeu foi menor do que teria recebido se fosse um desempregado a receber o respetivo subsídio. E afirmou à Reuters que o país precisa de um presidente que entenda o que as pequenas empresas precisam para sobreviver a uma pandemia – e esse presidente não é Trump. “Nesta altura, estamos apenas sentados aqui, à espera que os credores nos venham cobrar as dívidas”, disse.
A cintura industrial dos Estados Unidos – onde se incluem Ohio e a Pensilvânia – foi há quatro anos maioritariamente favorável a Trump, que prometeu uma revitalização económica com base nas indústrias transformadoras, o que lhe valeu muitos votos de eleitores brancos da classe trabalhadora que haviam votado anteriormente no democrata Barack Obama (em 2012).

Muitos desses eleitores permanecem leais ao presidente, diz a Reuters, mas o apoio a Trump está a diminuir e a pandemia é o grande motivo. Os dados das sondagens mostram que as presidenciais de 2020 estão a transformar-se cada vez mais num referendo sobre a forma como o presidente lidou com a Covid-19.

Uma sondagem Reuters/Ipsos realizada de 9 a 13 de outubro mostra que 50% dos prováveis eleitores em todo o país acham que Biden seria melhor no controlo da resposta à pandemia, em comparação com 37% para Trump. Sondagens semelhantes feitas na Pensilvânia, Ohio, Michigan e Wisconsin mostram precisamente o mesmo.

A mais recente sondagem da Reuters/Ipsos (como outras) mostra que Biden está empatado com Trump em Ohio e lidera na Pensilvânia, Michigan e Wisconsin, embora por margens menores do que a sua liderança nacional de 17 pontos face a Trump.

A defesa de Trump é evidente. A porta-voz do Comité Nacional Republicano, Mandi Merritt, disse que “enquanto os democratas continuam a fazer política com o coronavírus e uma vacina, o presidente Trump continua a liderar o país no caminho da recuperação”.

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