EUA: Powell reitera novamente apoio da Fed à retoma e aponta a “teste mais exigente” no capítulo laboral

O presidente da Fed voltou a reforçar o compromisso do organismo com o apoio à retoma nos EUA e, apesar de vários governadores do Comité da autoridade monetária verem já progresso suficiente no mercado laboral, esclareceu que pretende ver a economia passar “um teste mais exigente” neste capítulo.

Chairman da Reserva Federal dos EUA, Jerome H. Powell (AFP)

Jerome Powell, presidente da Reserva Federal dos EUA, voltou a garantir esta quarta-feira o apoio da autoridade monetária norte-americana à recuperação da economia, reforçando a necessidade de manter a política acomodatícia enquanto não forem observados os valores-alvo para vários indicadores económicos, e sinalizou que o início da diminuição do programa de compra de ativos não significa uma subida das taxas de juro.

No discurso que se seguiu ao anúncio da decisão da Fed de manter as taxas de juro inalteradas, Jerome Powell voltou a sublinhar o impacto da pandemia na economia norte-americana, particularmente em sectores como o turismo, hospitalidade e lazer, e reforçou a disponibilidade do organismo que lidera para manter o apoio à retoma, cujo fulgor tem sido afetado por novos surtos causados pela variante Delta.

Adicionalmente, os constrangimentos no fornecimento de matérias-primas e componentes tem afetado a produção e atividade em vários sectores, com destaque para o automóvel. Tal contribui decisivamente para a subida de preços atualmente verificada, voltou a considerar Powell, o que também impactou as previsões de crescimento do Comité da Reserva Federal, que agora aponta para 5,6% de evolução do PIB, por oposição aos 7% estimados em junho.

Já no capítulo laboral, e apesar de, “à semelhança de outros aspetos da economia, as condições no mercado de trabalho terem melhorado”, o presidente da Fed relembrou o fraco desempenho nesta área em agosto, quando foram criados apenas 235 mil postos de trabalho, bem abaixo dos 750 mil inicialmente previstos.

“A procura por trabalho [por parte da empresas] é muito forte e a criação de emprego atingiu, em média, 750 mil novos postos nos últimos três meses. No entanto, em agosto a criação de emprego abrandou marcadamente, sobretudo em sectores mais vulneráveis à pandemia”, sublinhou Powell. Ainda assim, acrescentou o presidente da Fed, a expectativa é que a evolução na vertente sanitária leve a progressos no mercado de trabalho, numa altura em que vários governadores do Comité consideram que o progresso no mercado laboral já foi atingido.

No que toca à evolução de preços, Powell voltou a sinalizar que, ainda que as pressões inflacionárias tenham sido “maiores e mais prolongadas” do que inicialmente antecipava, estas “irão diminuir”. Como tal, a autoridade monetária norte-americana decidiu manter o apoio à economia, apesar da evolução da inflação e de metade dos governadores apontarem a uma subida das taxas de juro diretoras já a meados de 2022, altura pela qual deverá estar a terminar o tapering (reversão progressiva do programa de compra de ativos), projeta o presidente.

Em resposta a questões dos jornalistas, o chefe da autoridade monetária esclareceu ainda que a perspetiva de começar a diminuir o programa de compras em breve “não tem como intenção dar um sinal direto” de uma subida das taxas diretoras. Para tal, acrescentou, o banco central usará um teste “mais rigoroso”.

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