PremiumEuropa na encruzilhada: a irrelevância como modo de vida

A União Europeia está cada vez mais longe da ideia que os fundadores tinham para ela. Mais: só, mais retalhada e mais dividida, por estes dias é a própria ideia de democracia que parece estar em dúvida.

Por muito que a Comissão Europeia e o Conselho Europeu tentem dizer o contrário – é esse o papel de ambos – a Europa, que ainda se conta a 28, está numa encruzilhada e enfrenta as maiores dúvidas sobre o seu futuro. A ter um. Não há como desmentir: um dos seus membros está de saída – logo um dos que mais dificuldade teve em ingressar no ‘clube’; ninguém está com muita pressa para entrar (os países dos Balcãs); há mesmo quem já tenha desistido de todo de o fazer (a Turquia); e o Parlamento Europeu ficou subitamente a abarrotar de eurocéticos em alegre confraternização com os antieuropeístas. É impossível outro diagnóstico que não seja a existência de uma doença, possivelmente prolongada e de final incerto.

As causas profundas da crise são, para os analistas destas coisas, uma enorme surpresa: a questão dos refugiados. Convém recordar que em 2015 a Europa – sempre levemente distraída, dado que o ano anterior tinha sido ainda pior – estava em pleno período de crescimento económico quando se sentiu repentinamente invadida por uma interminável fila de famintos e andrajosos, que recebeu como se estivesse perante uma horda de bárbaros bem armados e peritos em saque e pilhagem.

A questão dos imigrantes e refugiados não se colocava, portanto, no plano da partilha de migalhas e muito menos ainda da sobrevivência. Era apenas uma questão de gosto e requinte: é maçador ver as nossas belas cidades, cheias de palácios, catedrais e turistas embasbacados a admirarem a nossa história (que quase ninguém conhece), infestadas por gente que tem o aspeto de ter chegado mais ou menos viva à última fronteira. Como é maçador, a Europa pagou – literalmente – à Turquia, bem mais habituada a famintos e andrajosos, para que tomasse conta dos despojos das guerras, das fomes e do geral desinteresse europeu em relação aos azares do mundo desde que sucedidos em outros continentes.

Conteúdo reservado a assinantes. Para ler a versão completa, aceda aqui ao JE Leitor.

Recomendadas

PremiumFuncho abre apetite a projeto que recorda Legado madeirense

O projeto que está a ser desenvolvido pelo restaurante Terreiro, além da tónica na utilização dos produtos regionais, tem uma componente socioeconómica, na medida em que pretende criar valor para os produtores.

PremiumPrioridade do ministro dos Negócios Estrangeiros é levantar suspensão à TAP

O Governo português diz que não mudará um milímetro a política face à Venezuela. CEO da companhia aérea nacional calcula que suspensão pode causar prejuízo de 10 milhões de euros.

PremiumTrabalhistas britânicos tentam escapar à irrelevância política

Com a corrida à liderança dos trabalhistas reduzida a dois candidatos, o grande desafio do partido é o dia seguinte:Boris Johnson está em estado de graça e as últimas eleições foram um desastre de grande dimensão.
Comentários