Europeias: Mota Amaral acusa PSD de desistir de “acolher a voz” dos Açores e da Madeira

O histórico social-democrata João Mota Amaral acusa Rui Rio de ter lançado “pela borda fora um compromisso estrutural e histórico” com os Açores e a Madeira e ter desistido de acolher a voz das duas regiões autónomas nas europeias.

PSD

O ex-presidente da Assembleia da República e do Governo Regional dos Açores e fundador do PSD, João Mota Amaral, considera que a credibilidade do líder social-democrata, Rui Rio, está em causa por não ter colocado nenhum representante dos Açores na lista para as eleições europeias. Mota Amaral acusa Rui Rio de ter lançado “pela borda fora um compromisso estrutural e histórico” com os Açores e a Madeira e ter desistido de acolher a voz das duas regiões autónomas nas europeias.

“O presidente do PSD, quando se deslocou aos Açores, na fase de campanha para as eleições internas para a liderança, expressamente respondeu, em sessão pública, que manteria a tradição de haver um candidato dos Açores em posição elegível na lista para o Parlamento Europeu. A sua credibilidade política fica assim debilitada perante os militantes, simpatizantes e potenciais eleitores do PSD na Região Autónoma dos Açores”, escreve João Mota Amaral, num artigo de opinião publicado esta terça-feira no jornal “Correio dos Açores”.

O histórico social-democrata diz que nunca fez “qualquer diligência para ser candidato ao Parlamento Europeu” e que sempre teve “algumas reticências sobre a força da legitimidade democrática e os modos de funcionamento de tão poderosa instituição”. No entanto, “a generalidade dos pareceres foram positivos e incentivadores” levou a que considerasse uma candidatura, deixando “claro desde o início” que “concorria para ajudar o PSD/Açores e não para um qualquer lugar de destaque na lista nacional”.

João Mota Amaral conta que a única condição que impunha para se candidatar era que fosse integrado num “lugar elegível”, mais concretamente até ao quinto, “sem excluir que fosse mesmo atrás do atribuído à Madeira”. Mas a  Comissão Permanente da Comissão Política Nacional decidiu que “os candidatos representantes das regiões autónomas deixariam de ter assegurado lugar elegível, como sempre tinha acontecido, passando a reservar-se a uma delas apenas tal garantia, alternando em legislaturas sucessivas”.

“Para as eleições deste ano tal lugar caberia à Madeira, sendo os Açores remetidos para o oitavo lugar, claramente inelegível (…), lançando pela borda fora um compromisso estrutural e histórico com a autonomia constitucional dos Açores e da Madeira, o PSD desiste de acolher a voz das duas Regiões Autónomas na sua lista de candidatos ao Parlamento Europeu”, afirma.

A João Mota Amaral foi-lhe atribuído o oitavo lugar na lista, o que levou o ex-presidente do Governo Regional dos Açores a desistir da candidatura. “Alexandre Gaudêncio [líder do PSD/Açores] prometeu uma resposta forte à desconsideração agora sofrida e já se levantam rumores de processos disciplinares, que caiem aliás totalmente no ridículo… Em 26 de Maio próximo teremos a resposta do Povo Açoriano e será decerto inequívoca!”, garante o fundador do PSD.

A lista do PSD às eleições europeias, agendadas para 26 de maio, é liderado pelo eurodeputado Paulo Rangel e tem a líder da juventude do Partido Popular Europeu, Lídia Pereira, como número dois. Seguem-se o eurodeputado José Manuel Fernandes, a ex-ministra Graça Carvalho e o presidente da Câmara da Guarda, Álvaro Amaro. Cláudia Aguiar, indicada pela Madeira, é a sexta candidata na lista.

Nas últimas eleições europeias, o PSD conseguiu 26,7% dos votos e elegeu seis eurodeputados para o Parlamento Europeu. As últimas projeções apontam para a possibilidade de os sociais-democratas voltarem a eleger seis eurodeputados.

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