Ex-autarca do Porto diz que volumetria do projeto do El Corte Inglés é “absurda”

No mês passado, o Bloco de Esquerda denunciou que a Câmara do Porto “abdicou de 31 mil m2 para espaços verdes no projeto do Corte Inglês na Boavista, por considerar não serem necessários devido à proximidade da Rotunda da Boavista”. Para Nuno Cardoso, “tem uma densidade absolutamente desmesurada”.

O antigo presidente da Câmara do Porto, Nuno Cardoso, considerou este sábado um “absurdo” que o atual executivo municipal tenha abdicado de espaço público nos terrenos da antiga estação ferroviária da Boavista, para onde está projetado o El Corte Inglês.

Numa intervenção na assembleia popular online promovida pelo Movimento por um jardim público para o centro da Boavista, Nuno Cardoso, que em janeiro se afirmou disponível para candidatar-se à Câmara do Porto, criticou a gestão de Rui Moreira na gestão deste dossiê.

Recordando que há 20 anos os autarcas do Porto foram “confrontados com este contrato, com este ónus que, na altura, a CP, ainda não existia a IP, fez”, sem dar “qualquer conhecimento à autarquia”, o antigo político contou que na altura a vontade política era de instalar o El Corte Inglês na baixa, num plano de revitalização da economia da zona.

Fazendo a transposição para o que se vive hoje no Porto, Nuno Cardoso disse acreditar que “com o debate se conseguirá uma boa solução, que consiga fazer reverter a situação atual, que é um absurdo de ocupação”.

A 9 de fevereiro, o BE denunciou que a Câmara do Porto “abdicou de 31 mil metros quadrados para espaços verdes no projeto do Corte Inglês na Boavista, por considerar não serem necessários devido à proximidade da Rotunda da Boavista”.

Para Nuno Cardoso, isto é um “absurdo”, acrescentando, sobre o projeto, que “tem uma densidade absolutamente desmesurada”.

“Alguma coisa se poderá, porventura, construir, e rematar os quarteirões, mas criar um espaço público verde parece-me necessário e, aí, a câmara tem um papel a dizer, pois abdicou no PIP [Pedido de Informação Prévia] da cedência que lhe era dada por direito no Plano Diretor Municipal”, alertou.

Na assembleia, que teve a participação de cerca de uma centena de pessoas, foram apontadas várias soluções para o terreno da antiga estação ferroviária, com uma parte dos intervenientes a sugerir soluções que combinassem jardins públicos com hortas comunitárias e até uma estufa biológica.

O argumento de que aquela zona está servida pelo jardim da Rotunda da Boavista foi também rebatido, primeiro por ser “perigoso de aceder”, pois implica atravessar a via circundante, e segundo “por não ser um jardim de sossego” dado o tráfego permanente.

Sofia Maia Silva, do movimento, sublinhou “haver ainda todas as condições para reverter” a construção do centro comercial, tendo acolhido as sugestões de “sensibilização dos portuenses para a situação” e também dos “partidos políticos, em ano de eleições autárquicas”.

O projeto da cadeia espanhola para a antiga estação ferroviária levou o grupo de cerca de 60 personalidades ligadas à academia e ao património ferroviário a pedir a classificação como imóvel de interesse público e municipal daquele local, defendendo a importância da preservação da antiga estação ferroviária, em risco se o projeto do El Corte Inglés avançar, tendo os dois pedidos sido indeferidos.

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