Ex-líder da bancada do CDS-PP diz que partido não deve negar “definitivamente” entendimentos com o Chega

O antigo dirigente democrata-cristão admite que o Chega tem ideias que “não são compagináveis” com os valores da direita ou do centro democrático, mas defende que é necessário ouvir primeiro as bases do CDS-PP para perceber como é que o partido pode recuperar peso a nível eleitoral.

Nuno Magalhães
Ex-líder do grupo parlamentar do CDS-PP apoiou João Almeida no Congresso de Aveiro

O antigo líder do grupo parlamentar do CDS-PP Nuno Magalhães defende que o partido não deve excluir eventuais coligações com o Chega de André Ventura. O ex-dirigente democrata-cristão admite que o Chega tem ideias que “não são compagináveis” com os valores da direita ou do centro democrático, mas defende que é necessário ouvir primeiro as bases do CDS-PP para perceber como é que o partido pode recuperar peso a nível eleitoral.

“Embora tenha uma expectativa baixa em relação à bondade daquilo que são as propostas do Chega, não renegaria assim de forma tão definitiva [entendimentos com o Chega] para qualquer concelho”, afirmou Nuno Magalhães, à RTP3, em reação à entrevista do líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, à revista “Visão”, onde excluiu qualquer hipótese de um entendimento com o Chega para as eleições.

O ex-dirigente centrista, que deixou a bancada do CDS-PP ao fim de oito anos em novembro de 2019, reconhece que, até ao momento, tinha mantido algum “recato” em comentar eventuais entendimentos entre o CDS-PP e o Chega. Agora, diz que “não faria uma declaração de uma forma tão perentória” com a de Francisco Rodrigues dos Santos, ao dizer que a probabilidade de um acordo eleitoral entre o CDS-PP e o Chega “é nula”.

“[Francisco Rodrigues dos Santos] rejeita coligações que as bases podem pretender e, quando começam a chegar as eleições e os problemas para arranjar listas, não faria essa declaração tão perentória em relação ao Chega”, disse, abrindo a porta a um eventual entendimento com o Chega para as eleições autárquicas de 2021.

Nuno Magalhães concorda, no entanto, com o presidente do CDS-PP quando diz que o Chega tem “determinado tipo de ações, afirmações e propostas que não são recomendáveis” e diz que, por isso, o partido de André Ventura “não é boa vizinhança”. “O Chega tem determinado tipo de propostas e determinado tipo de ações não compagináveis com a direita democrática ou com o centro democrático, nesse aspeto, estou de acordo”, referiu.

Na visão de Nuno Magalhães, o líder do CDS-PP está com a renúncia a qualquer acordo com o Chega a “assumir uma posição e marcar agenda”, mas sublinha que é imprudente fechar por completo a porta a um entendimento. Porém, esse entendimento não deve ser “a qualquer preço”. “Seria difícil uma coligação, por agora, estável, profunda com o Chega, da parte do CDS-PP”, afiança.

Depois de Francisco Rodrigues dos Santos ter descartado entendimentos com o Chega, o presidente demissionário e deputado único do Chega, André Ventura, ironizou a situação no Twitter: “Acho que depois disto vou cancelar as férias! Não estou com a mínima disposição para descansar depois deste rude golpe político”.

Esta sexta-feira, o militante do CDS-PP Pedro Borges de Lemos, líder da corrente interna não formalizada CDSXXI, anunciou a desfiliação do partido, com críticas à direção, numa altura em que estava a ser ponderada a sua expulsão do partido por ter participado numa manifestação ‘Portugal não é racista’ promovida pelo Chega. Pedro Borges de Lemos manifestou-se ainda disponível para aderir ao Chega, que considera ser “a única força política de direita que tem demonstrado a coragem de combater o sistema em todas as suas fraquezas”.

Ler mais
Relacionadas

Líder de corrente conservadora no CDS deixa partido e adere ao Chega

O militante do CDS-PP Pedro Borges de Lemos, da corrente não formalizada “CDS XXI”, anunciou esta sexta-feira que se desfiliou do partido, com críticas à direção, e manifestou-se disponível para aderir ao Chega.

“Probabilidade é nula”. CDS-PP afasta entendimentos com Chega e André Ventura responde

O líder democrata-cristão considera que o Chega têm-se afastado “cada vez mais” dos valores do centro-direita e diz que o CDS-PP não pode compactuar com um partido que se baseia em “conversas de café” e é “incoerente” naquilo que defende.
Recomendadas

PCP identifica seis cadeias de dependência externa que implicam “colonização económica e política”

Turismo, grande distribuição e a aposta no lítio e no hidrogénio não foram esquecidos na análise (muito crítica) que os comunistas fazem à economia portuguesa nas Teses que servirão de base ao XXI Congresso, que decorrerá entre 27 e 29 de novembro.

Hamas e Fatah chegam a acordo para a realização de eleições daqui a seis meses

Depois de 15 anos sem atos eleitorais, na sequência dos confrontos que resultaram da tentativa de coligação em 2006, as duas principais fações palestinianas procuram dar sinais de união numa altura em que o restante mundo árabe parece aberto à normalização dos laços com Israel.

Rainha de Inglaterra resgatada pelo governo britânico para compensar desvalorização de património

O governo de Boris Johnson vai mesmo avançar com o resgate financeiro ao património imobiliário da rainha de Inglaterra, depois deste ter desvalorizado 590 milhões de euros, fruto da pandemia de Covid-19.
Comentários