Ex-PGR: “Há redes de corrupção e de compadrio” que “capturaram o Estado”

Joana Marques Vidal denunciou na Renascença que estas redes de corrupção estão espalhadas por ministérios ou autarquias.

Cristina Bernardo

A denúncia parte da ex-procuradora-geral da República: existem redes dentro da máquina do Estado que ganham dinheiro de forma corrupta. “Há redes de corrupção e de compadrio nas áreas da contratação pública”, denunciou Joana Marques Vidal aos microfones da Rádio Renascença esta sexta-feira, 28 de junho.

A ex-procuradora-geral defende que é preciso fazer mais para travar esta corrupção no setor público. “Há efetivamente algumas redes que capturaram o Estado e que utilizam o aparelho do Estado para a prática de atos ilícitos e, felizmente, algumas estão a ser combatidas, mas outras continuam a fazer isso e há até outras que começam”.

Joana Marques Vidal denunciou na Renascença que estas redes estão espalhadas por ministérios ou autarquias. “Se nós pensarmos um pouco naquilo que são as redes de corrupção e de compadrio, nas áreas da contratação pública, que se espalham às vezes por vários organismos de vários ministérios, autarquias e serviços diretos ou indiretos do Estado, infelizmente nós estamos sempre a verificar isso”.

Apesar da existência destas redes de corrupção no Estado, a ex-procuradora-geral rejeita a ideia de que todos os políticos sejam corruptos. “Eu não tenho, de maneira nenhuma, uma ideia catastrófica de que toda a gente é corrupta e que todas as autarquias são corruptas e que todos os políticos são corruptos. Não tenho nada essa ideia. Sou, aliás, uma defensora de que os partidos são um elemento essencial da democracia. Poderemos depois discutir se deviam estar mais abertos ou menos abertos, autorregenerem-se, não serem tão complacentes com certos tipos de atividades, mas isso é outro tipo de discussão”.

A denúncia de Joana Marques Vidal acontece depois de Ramalho Eanes ter atacado a “febre ideológica” partidária que existe nos serviços públicos. “A febre ideológica parece esquecer-se de que cabe ao Estado o dever de definir o interesse geral e suas regras, o que não quer dizer que o Estado, fixando as regras do jogo, deva ele próprio fornecer os serviços. Aliás, os serviços prestados pelo Estado e por outrem que não o Estado nessas áreas permite, em minha opinião, uma comparação em qualidade e controlo de custos”, disse o antigo Presidente da República, como pode ler na nova edição do Jornal Económico que chegou esta sexta-feira às bancas.

PremiumRamalho Eanes ataca “febre ideológica” nos serviços públicos

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