As autarquias portuguesas fecharam 2024 com um excedente orçamental superior ao do ano anterior, mas aquém do orçamentado, atingindo 268 milhões de euros. Trata-se de uma subida de 27 milhões de euros em relação a 2023, mas insuficiente para alcançar os 474 milhões de euros previstos no Orçamento do Estado (OE), apesar de a receita fiscal ter aumentado mais do que o projetado, muito à custa da derrama municipal.
O relatório do Conselho de Finanças Públicas (CFP) sobre a evolução orçamental da administração local em 2024 aponta para um aumento do excedente, após a receita ter crescido 1,1 mil milhões de euros, em comparação com 900 milhões do lado da despesa. Em termos relativos, isto corresponde a crescimentos de 10% e 7,9%, respetivamente.
No que diz respeito à receita, as transferências da administração central foram um dos motores desta evolução, subindo 17,6%, enquanto a receita própria não fiscal aumentou 9,1%, impulsionada pelos rendimentos de propriedade, vendas de bens e serviços e cobrança de taxas.
A receita fiscal, por sua vez, desacelerou em relação a 2023, crescendo 2% em comparação com os 2,6% daquele ano, mas ficando acima dos 0,2% previstos no OE. Destaca-se a evolução da derrama municipal do IRC, que cresceu 14,4%, “sendo responsável pelo maior contributo no acréscimo de receita fiscal dos municípios em 2024”, lê-se no relatório.
Em sentido inverso, a receita associada ao IMI contraiu ligeiramente, enquanto a do IMT subiu também de forma marginal, contrariando a expectativa inscrita no OE de uma diminuição, revelando uma conjuntura “mais favorável do que o antecipado” no mercado imobiliário.
“Para esta evolução, terão contribuído, no final do ano, medidas como a isenção de IMT para jovens. O custo desta medida foi assumido pelo Estado, de modo a compensar os municípios pela perda de receita fiscal associada”, explica o documento publicado esta terça-feira.
Relativamente aos gastos, as variações na despesa corrente explicam mais de 90% do aumento global, subcomponente que subiu 9,8%. Já as despesas de capital cresceram apenas 1,9%, ficando largamente aquém da previsão de 23% de subida no ano em análise.
Contas feitas, “os orçamentos municipais para 2024 continuam a denotar uma sobreorçamentação da despesa, em particular na despesa de capital”, escreve a instituição liderada por Nazaré da Costa Cabral.
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