As exportações de componentes automóveis caíram 3,3% entre janeiro e agosto em termos homólogos, para 7.900 milhões de euros, com agosto a registar uma queda expressiva de 9,9%, muito acima da descida de 1,3% das exportações nacionais de bens, refere a AFIA, a associação do setor. Este resultado surge num momento em que o Governo apresentou a proposta de Orçamento do Estado para 2026, e que inclui medidas relevantes para o setor empresarial
De acordo com cálculos da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, com base nas informações divulgadas pelo INE. Em agosto, a retração foi particularmente significativa, com as exportações de componentes automóveis a diminuir 9,9%. O valor mensal ficou abaixo dos 700 milhões de euros, registando o pior desempenho desde 2015 para este mês.
Como razões percebidas para a quebra da procura nos principais mercados europeus, temos o abrandamento económico, com retração do consumo e a instabilidade geopolítica, refere a associação. “Contudo, não podemos deixar de considerar o preço dos veículos elétricos fabricados na Europa, o que é compensado pelas importações, bem como o baixo ritmo de investimento em infraestruturas de carregamento, que são algumas das justificações para os resultados registados no mês de agosto. A diminuição de compras do mercado dos EUA também concorre para a diminuição da produção europeia”.
Apesar da queda, o setor mantém a sua relevância, representando 14,9% das exportações nacionais de bens transacionáveis.
A Europa continua a absorver a esmagadora maioria das exportações de componentes automóveis, com uma quota de 88,4%, embora tenha registado uma quebra de 3,2% no acumulado até agosto. Já os mercados de África e Médio Oriente destacaram-se pela nota positiva, ao crescerem 16,3%. Entre os principais destinos, Espanha manteve a liderança com 29,1% de quota e um ligeiro crescimento de 1,7%, enquanto a Alemanha, segundo maior mercado, caiu 11,8%, e a França registou uma descida de 1,1%. Em contrapartida, destaque positivo para os desempenhos da Roménia, com uma subida de 37,9%, e de Marrocos, que aumentou 28,1%.
Para José Couto, presidente da AFIA, citado em comunicado, “estes números confirmam a fragilidade do setor perante um contexto internacional instável e de forte concorrência. A quebra de quase 10% em agosto é preocupante e deve ser lida como um alerta. Apesar de mercados como a Roménia e Marrocos darem sinais muito positivos, a dependência excessiva da Europa deixa-nos vulneráveis.”
O Orçamento do Estado para 2026, entregue na passada semana na Assembleia da República, inclui várias medidas que poderão ter um impacto direto nas empresas, e que a AFIA considera cruciais para a competitividade da indústria automóvel e para o reforço da sua posição internacional.
Entre as medidas destacam-se a redução faseada da taxa de IRC, que em 2026 descerá de 21% para 20% e a simplificação de processos administrativos. Estas alterações respondem a um dos alertas que a AFIA tem vindo a fazer: a urgência em reduzir os custos de contexto e criar um ambiente mais favorável à iniciativa privada.
O Governo anunciou ainda um reforço da execução dos fundos europeus e do PRR, comprometendo-se a reduzir para 30 dias o prazo máximo de decisão em candidaturas ao Portugal 2030. Para a indústria automóvel, que vive de fortes investimentos em inovação, digitalização e transição energética, esta medida poderá ser determinante para acelerar projetos e assegurar maior previsibilidade.
“O Orçamento do Estado para 2026 inclui medidas que vão ao encontro de algumas das nossas preocupações, nomeadamente a descida do IRC, a simplificação de processos e o reforço da execução de fundos europeus. Estas decisões podem ajudar as empresas do setor a investir mais, inovar e reforçar a sua competitividade internacional. Contudo, é essencial que as promessas de execução rápida dos fundos europeus e de redução da burocracia se concretizem efetivamente, sob pena de continuarmos a perder terreno nas cadeias de valor globais”, acrescenta José Couto. Estes temas serão analisados na 12ª Automotive Industry Week, evento que se realizará entre 4 e 5 de novembro, sob o tema Thinking Beyond the Transition.
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