Exportações prejudicam economia alemã. PIB contrai 0,1% no segundo trimestre

O risco de recessão na maior economia da Europa aumentou depois de o organismo de estatística local ter confirmado que o Produto Interno Bruto da Alemanha contraiu entre os meses de abril e junho.

É oficial: a economia alemã contraiu entre os meses de abril e junho. É o segundo trimestre consecutivo de contração da principal economia da Europa, numa altura em que a Alemanha é um dos mercados aos quais os investidores estão mais atentos depois do alerta de recessão por parte do Bundesbank.

O organismo de estatística federal (Destatis) confirmou esta terça-feira que o Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha contraiu 0,1% no segundo trimestre de 2019 sobretudo devido à forte quebra de 1,3% nas exportações do país – muito superior ao recuo de 0,3% das importações no mesmo período.

“O desenvolvimento do comércio externo desacelerou o crescimento económico no segundo trimestre de 2019”, explicou o gabinete de estatísticas local, referindo que a balança comercial alemã registou uma contribuição negativa de 0,5% para o desempenho económico da Alemanha. Ainda assim, o consumo das famílias alemãs foi positivo (0,1%), embora que se tenha fixado abaixo dos 0,8% dos primeiros três meses do ano.

O banco central alemão, no último relatório mensal, indicou que, é provável que a quebra na economia alemã esteja para continuar, pelo menos, durante o verão. Em causa está a descida na produção industrial e nas encomendas. “O desempenho económico geral pode recuar ligeiramente mais uma vez. Crucial para isso é a desaceleração em curso na indústria”, argumentou a instituição liderada por Jens Weidman. O Bundesbank aponta também a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e o Brexit como acontecimentos penalizadores da economia alemã, dependente das exportações.

‘Mood’ das empresas exportadoras melhora

As exportações na Alemanha caíram mas o Instituto de Pesquisa Económica (Ifo) diz que existem expectativas de melhoria para as empresas. Numa publicação feita esta manhã, o Ifo refere que o “mood” dos exportadores alemães “se iluminou um pouco”, com as expectativas de exportação na indústria a subiram para -2,1 pontos de equilíbrio em agosto (acima dos -2,7 registados no mês passado). “Este aumento deve-se às empresas que exportam para o Reino Unido. A ameaça de ‘hard Brexit’ está a incentivar as empresas britânicas a importar muito antes”, pode ler-se no documento assinado por Clemens Fuest, presidente deste instituto.

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