Exposição ao turismo levanta incertezas na recuperação económica

Recuperação do turismo, especialmente o estrangeiro, deverá ser lenta Processo de vacinação é decisivo para o setor com elevado peso na economia portuguesa.

As atividades de contacto direto foram das primeiras vítimas do vírus e as cicatrizes vão demorar a sarar. Se na anterior crise, o turismo impulsionou a recuperação e contribuiu decisivamente para as exportações portuguesas, na atual crise a retoma deste setor será mais gradual.

Com os atrasos no processo de vacinação e as restrições de viagens ainda em vigor em muitos países, o turismo não deverá regressar aos níveis pré-pandemia ainda este ano, colocando os países dependentes do setor mais expostos. O aviso tem sido dado por diversas instituições, como recentemente o Fundo Monteráro Internacional (FMI).

No relatório publicado esta semana, a instituição com sede em Washington realça que as recuperações a várias velocidades estão a decorrer em todas as regiões e em grupos de rendimentos “As perdas na produção têm sido particularmente grandes para os países que dependem do turismo e das exportações de commodities e para aqueles com menos espaço para responder”, refere.

A presidente do Conselho das Finanças Públicas, Nazaré da Costa Cabral, em entrevista ao Jornal Económico em fevereiro, avisava quea atual crise é um choque que está a ter efeitos muito assimétricos do ponto de vista dos setores da economia.

“Há setores que foram completamente paralisados. Desde logo os setores que implicam o tal contacto pessoal mais evidente. O turismo, a restauração, o comércio em geral, há setores que pela própria natureza da atividade foram fortemente atingidos”, frisava.

E se é um dado adquirido que as medidas de restrição estão a afetar o turismo, tendo levado a uma quebra das visitas, das receitas do setor hoteleiro e das companhias áreas, os efeitos estendem-se ao consumo gerado pela dinâmica do setor, sobretudo do turismo estrangeiro.

“Portugal está também afetado por um dos setores em maiores dificuldades, que não é só o turismo em geral, mas principalmente o turismo externo. Só o turismo externo representa 8% do PIB em Portugal”, afirmava o comissário europeu para a economia, Paolo Gentiloni, em conferência de imprensa, em fevereiro, não apagando a esperança que “isso pode mudar na segunda metade deste ano, especialmente no próximo ano”.

O cenário de Bruxelas para a recuperação da economia portuguesa está ancorado na “expectativas de uma recuperação notável do turismo no verão, especialmente nas viagens intra-União Europeia e uma recuperação mais gradual daí para a frente”, ainda que antecipe que o sector do turismo continue abaixo do nível anterior à crise até ao final de 2022.

“Um retorno aos níveis pré-pandémicos é esperado no final de 2022, mas os riscos continuam significativos devido à grande dependência do país do turismo estrangeiro, que continua a enfrentar incertezas relacionadas com a evolução da pandemia”, assinalava Bruxelas.

Mais recentemente, o Banco de Portugal assumia que “a recuperação dos serviços e, em particular, nas atividades ligadas ao turismo, cultura e entretenimento será mais gradual”, face a outros setores como a indústria.

“Em termos da composição das exportações, antecipa-se uma dinâmica mais modesta na recuperação das exportações de serviços, associada a uma conjuntura mais adversa no sector do turismo, na perspetiva de prevalência de restrições às viagens internacionais no curto prazo”, assinalava também o Conselho das Finanças Públicas, esperando que a procura de serviços associados ao turismo “seja normalizada apenas em 2023”, ano em que as exportações em volume recuperam o nível de 2019.

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