Facebook suspende “dezenas de milhares” de aplicações por falhas na privacidade

A sua suspensão “não é necessariamente uma indicação de que as aplicações eram uma ameaça às pessoas”, ressalva a rede social.

O Facebook anunciou hoje que suspendeu “dezenas de milhares” de aplicações na sequência de uma investigação a programadores que começou em março de 2018, depois do caso ‘Cambridge Analytica’, em que dados de utilizadores foram utilizados sem consentimento.

“Até à data, esta investigação abordou milhões de ‘apps’ [aplicações]. Dessas, dezenas de milhares foram suspensas por várias razões, enquanto continuamos a investigar”, pode ler-se num comunicado hoje divulgado pela rede social.

“Em alguns casos, banimos as aplicações completamente. Isso pode acontecer por um número de razões, incluindo partilhar indevidamente informação fornecida por nós, tornar dados públicos sem proteger a identidade das pessoas, ou algo mais que estava em clara violação das nossas políticas”, adianta a rede social gerida por Mark Zuckerberg.

A investigação interna, que foi feita “em resposta ao episódio ‘Cambridge Analytica'”, envolveu “centenas de pessoas: procuradores, investigadores externos, cientistas de dados, engenheiros, especialistas em políticas, parceiros e outras equipas dentro da empresa”, segundo o Facebook.

A empresa adianta também que não confirmou novos abusos de privacidade para além daqueles já conhecidos publicamente, acrescentando que a “investigação não está ainda completa” e que está “em contacto com reguladores e decisores políticos”.

As aplicações suspensas “estão associadas com 400 programadores”, e a sua suspensão “não é necessariamente uma indicação de que as aplicações eram uma ameaça às pessoas”, de acordo com o Facebook.

“Muitas não estavam ligadas mas ainda em fases de teste quando as suspendemos”, acrescentou a empresa, esclarecendo que “em muitos casos os programadores não responderam” a mais pedidos de informação por parte do Facebook.

A empresa liderada por Mark Zuckerberg afirma que agora “identifica aplicações baseadas em sinais associados ao potencial abuso” das políticas de privacidade da empresa, e não só baseando-se no número de utilizadores, o que lhe permitiu fazer análises “mais intensivas” onde haja “preocupações”.

“Isto inclui uma investigação de fundo do programador e uma análise técnica da atividade da aplicação na plataforma. Dependendo dos resultados, uma gama de ações podem ser tomadas, desde pedir aos programadores que se submetam a um questionário de fundo, até prosseguir investigações ou banir uma aplicação”, detalhou a rede social.

A rede social Facebook esteve no ano passado envolta em polémica com a empresa Cambridge Analytica, acusada de ter recuperado dados de milhões de utilizadores da rede social, sem o seu consentimento, para elaborar um programa informático destinado a influenciar o voto dos eleitores, favorecendo a campanha de Donald Trump.

No início do mês de setembro, os números de telefone ligados a mais de 400 milhões de contas do Facebook que tinham sido armazenados de forma irregular foram expostos ‘online’, a mais recente violação da proteção de dados do grupo norte-americano, revelou o site TechCrunch.

Em julho, o regulador norte-americano impôs uma multa recorde de cinco mil milhões de dólares ao Facebook por ter “enganado” os utilizadores da rede social sobre a sua capacidade de controlar a confidencialidade dos dados pessoais.

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