Mais responsável e sustentável. L’Oréal cria fundo de investimento ambiental de 150 milhões de euros

Ao Jornal Económico, a vice-presidente da gigante da cosmética explica que a iniciativa passa por acelerar e aumentar os esforços sustentáveis já em curso dentro da empresa. Até 2030, a marca quer que 100% dos plásticos usados nas embalagens dos produtos sejam de fontes recicladas.

A multinacional francesa de cosmética vai alocar 150 milhões de euros para prestar apoio a causas ambientais e sociais como parte da nova iniciativa sustentável “L’Oréal for the Future”.

Em entrevista ao Jornal Económico, a vice-presidente de Sustentabilidade da empresa explica que esse montante servirá dois propósitos: 100 milhões vão ser investidos na gestão dos impactos ambientais. Uma metade servirá para a restauração e regeneração dos ecossistemas, enquanto que os outros 50 milhões servirão para fomentar a economia circular da empresa através de projetos de reciclagem, gestão de resíduos e produção de materiais alternativos ao plástico.

“Quando falamos de alterações climáticas, esquecemos-nos da importância de melhorar daquilo que já existe”, refere Alexandra Palt via Teams. “É importante informar que a restauração dos ecossistemas pode contribuir para a redução de 30% dos gases com efeito de estufa (GEE). O dinheiro para fazer isso não existe e por isso decidimos criar um fundo de investimento que serve esse propósito”.

Esses ecossistemas incluem florestas, como a Amazónia, manguezais da Indonésia, territórios costeiros e habitats naturais que se encontrem sob ameaça. “Com esta iniciativa esperamos um retorno no investimentos e – espero eu – um novo ecossistema de restauração da biodiversidade financeira”, sublinhou, deixando claro que até ao fim do ano nenhum produto da L’Oréal estará associado à desflorestação.

O segundo propósito servirá causas sociais. A L’Oréal compromete-se assim em ajudar organizações comunitárias em todo o mundo cujo o propósito é prestar apoio a mulheres em condições vulneráveis. “Falamos de todo o tipo de situações, desde mulheres em situações de desemprego, sem abrigo a mulheres com inseridas num contexto de abuso ou violência”, referiu Alexandra Palt ao JE.

“Queremos liderar a transformação dos próximos 10 anos”

A nova iniciativa traça assim um plano de ação cujo prazo termina em 2030 e passa por tornar todos os locais de trabalho da L’Oréal — produção, administração e investigação — neutros em carbono, até 2025, e usar 100% de energia renováveis nesses pontos. Fazer com que 100% dos plásticos usados nas embalagens dos produtos da marca sejam de fontes recicladas, ou de base biológica, e reduzir em 50% todas as suas emissões de gases de efeito estufa, por produto acabado, em comparação com 2016. A multinacional francesa também ambiciona que 100% da água utilizada nos processos industriais seja reciclada e reutilizada em circuito fechado.

Por fim, para sensibilizar os seus consumidores a fazerem escolhas mais sustentáveis, a L’Oréal desenvolveu um mecanismo de Rotulagem de Impacto Ambiental e Social do Produto, com escala de A (bom) a E (mau), certificado por especialistas científicos independentes e validado por um auditor independente, que será implementado progressivamente em todas as marcas e categorias.

“A nossa estratégia foca-se determinar objetivos e alcança-los”, respondeu a vice-presidente quando questionada sobre o porquê de traçar um plano de 10 anos contrário do que fazem maioria das empresas.

“O único caminho a seguir é a neutralidade carbónica, em 2050, essa é a nossa única alternativa. Mas nós não nos vamos comprometer com objetivos que só se deverão concretizar daqui a 30 anos. Temos que mostrar primeiro que estamos a liderar a transformação nos próximos 10 anos porque esse é o prazo que os cientistas nos dão. A empresa sente-se mais confortável em desenhar prazos de “curto-prazo” primeiro para termos a certeza que serão alcançados”, reforça.

O “L’Oréal for the Future” vem assim dar continuidade à iniciativa da empresa de se tornar 100% sustentável, uma missão que começou em 2013. Durante esse período, a gigante da cosmética conseguiu mudar a qualidade da produção tornando-a mais sustentável e ultrapassar a meta de reduzir as suas emissões de GEE em 70%, em 2019. As previsões para este ano, sugerem que a empresa conseguiu reduzir em 80% a redução de gases poluentes, um valor que ultrapassa a meta de 60%.

Em linha com esta redução, surgem também os cortes na pegada ambiental nos produtos novos e renovados. Em 2019, essa redução era de 85% e para 2020 a empresa espera melhorar o perfil ambiental dos produtos e reduzir a pegada em 90%. “Isto permite-nos colocar a palavra “sustentabilidade” no centro da nossa estratégia”, afirmou Palt.

No âmbito deste novo programa de sustentabilidade, a L’Oréal Portugal acaba de assinar o Compromisso Lisboa Capital Verde Europeia 2020 – Ação Climática Lisboa 2030. Com esta adesão, a empresa assume o compromisso de desenvolver um conjunto de ações e medidas, ao longo dos próximos anos, em diferentes áreas como energia, mobilidade ou economia circular, como por exemplo a instalação de iluminação LED, equipamentos de energia solar, equipamentos para redução do consumo de água e a utilização de veículos elétricos na sua frota.

 

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