Falta reparar 17 mil automóveis do dieselgate

Em Portugal foram identificadas 125 mil viaturas do grupo Volkswagen afetados pelo escândalo da manipulação das emissões poluentes. Deste total, ainda é preciso intervir em cerca de 15% dos carros afetados.

Protective wrapping covers new Volkswagen AG (VW) automobiles as they sit on the quayside ahead of shipping at the Autoeuropa roll-on/roll-off (RORO) terminal in the Port of Setubal, Portugal, on Tuesday, June 30, 2015. Car industry companies are returning some production back to Europe from China as its cost advantage weakens, providing an opportunity for central European nations to attract investments, a Volkswagen AG executive said. Photographer: Thomas Meyer/Bloomberg via Getty Images

Nas estradas portuguesas ainda circulam 17 mil automóveis do grupo Volkswagen (VW) que têm instalado o software fraudulento que manipula as emissões poluentes. Dos 125 mil automóveis afetados pelo ‘dieselgate’ em Portugal, 85% já foram reparados pelas devidas marcas.

O balanço foi feito pelo Ministério da Economia ao Jornal Económico com base nos dados do Instituto de Mobilidade e de Transporte (IMT), a autoridade nacional competente na matéria, relativos ao último trimestre de 2018.

Entre as quatro marcas do grupo VW afetadas pelo ‘dieselgate’, a Audi é a que conta com a percentagem mais elevada de intervenções já realizadas no país (89,5%), seguida da Volkswagen (87,2%), da Seat (79%) e da Skoda (78,4%). Mas a Volkswagen foi a marca com mais automóveis afetados pelo escândalo da manipulação das emissões poluentes no mercado nacional (57.898 veículos), seguida da Audi (35.846), da Seat (23.188) e da Skoda (8.317).

Depois de a fraude ter sido revelada, em setembro de 2015, a Volkswagen foi atingida por várias multas e processos judiciais nos Estados Unidos e na Europa. Para pagar as multas, a companhia alemã colocou de lado um total de 25,8 mil milhões de euros.

Em relação a queixas dos clientes efetuadas após a reparação do software fraudulento, a SIVA importadora das marcas Volkswagen, Audi e Skoda, garante que o grau de satisfação dos seus clientes após a “intervenção é bastante elevado”. “O número de reclamações é residual e comprova-se que muitas delas não têm uma relação direta com a intervenção no software”, diz fonte oficial da SIVA ao Jornal Económico.

“O grupo Volkswagen sempre afirmou corroborado pelas autoridades alemãs dos transportes (KBA) que a intervenção não tinha efeitos negativos nem no consumo, nem nas emissões, nem no ruído dos motores afetados”, afirma a mesma fonte, sem quantificar o número de reclamações.

Já a Seat destaca que, “com base no feedback recebido até ao momento, as intervenções têm ocorrido com normalidade e a grande maioria dos clientes está satisfeita com a solução técnica implementada”. “Temos vindo a resolver a grande maioria das reclamações, com total satisfação dos nossos clientes”, segundo fonte oficial da Seat, que também não forneceu números sobre as reclamações.

Questionado em relação a queixas feitas por proprietários após a reparação do software fraudulento, o Ministério da Economia confirmou que no final de 2017 e início de 2018 “recebeu algumas reclamações e pedidos de informação que foram endereçadas aos representantes nacionais das marcas e ao IMT. A esmagadora maioria das reclamações questionava a obrigatoriedade da intervenção em Portugal e os seus efeitos negativos”. A tutela explica que, “no âmbito de uma ação conjunta europeia das autoridades nacionais, da qual a DGC fez parte”, ficou acordado com a Comissão Europeia “o compromisso de o grupo VW  analisar e responder todas as reclamações recebidas”.

A Direção-Geral do Consumidor “recomenda que quaisquer reclamações referentes às intervenções efetuadas nas oficinas sejam sempre dirigidas às marcas”. A tutela diz que “tem feito o acompanhamento desta matéria, tendo as marcas manifestado e demonstrado os seus esforços para a concretização da chamada de todos os veículos”.

A SIVA estima que nunca irá reparar a totalidade dos automóveis afetados pelo ‘dieselgate’ em Portugal, pois calcula que cerca de 10% dos seus clientes não podem “ser contactados ou não realizariam a ação, apesar de ser obrigatória”.

Artigo publicado na edição 1971, de 11 de janeiro do Jornal Económico

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