‘Fatura do Ambiente’ revela que potencial de aquecimento global é maior que a atividade económica

O INE divulgou esta sexta-feira a análise de Contas das Emissões Atmosféricas para 2017 com resultados pouco animadores. O potencial de aquecimento global 6,9% aumentou 6,9%, mais 3,6% do que a atividade económica registadas no mesmo período.

Em 2017, os principais indicadores ambientais apresentaram acréscimos, nomeadamente o potencial de aquecimento global (GWP, sigla em inglês), o de acidificação e o de formação de ozono troposférico, que aumentaram 6,9%, 1,4% e 1,3% respetivamente enquanto a atividade económica cresceu, em termos reais, 3,3%. Ou seja, 2017 destaca-se por ser o segundo ano com maior crescimento do GWP, o primeiro registo ocorreu em 1999.

Em termos práticos significa que as emissões de gases de efeito estufa atingiram novos máximos registando 68,4 milhões de toneladas de equivalente de CO2. O GWP aumentou 6,9% face ao ano anterior e, embora se encontre abaixo dos valores observados em 2005, inverteu a tendência descendente registada entre 2006  e 2014.

Este aumento resultou fundamentalmente do aumento das emissões de dióxido de carbono (CO2) em 8,4%, explica o Instituto Nacional de Estatística (INE), esta sexta-feira, num dia em divulga a análise de Contas das Emissões Atmosféricas para 2017.

Em termos acumulados, todos os indicadores ambientais registaram decréscimos entre 1995 e 2017, contrariamente ao valor acrescentado bruto (VAB), que registou um aumento de 32,5%.

Os maiores contribuintes para o potencial de aquecimento global foi o setor da energia, água e saneamento (30,8%). Relativamente a 2016, este foi também o ramo de atividade que mais aumentou as suas emissões, tendo sido registado um acréscimo de 16,6%. Já relativamente à acidificação os maiores tributário foram o setor da agricultura, silvicultura e pesca (36,3%), devido às emissões de amoníaco. Os maiores contribuintes para as emissões totais de precursores do ozono foram a indústria (32,9%), as famílias (25,9%) e os transportes e armazenagem (13,5%).

A conclusão mais animadora desta ‘fatura do ambiente’ surge quando se compara o desempenho de Portugal aos restantes 28 Estados-Membros da União Europeia. Segundo o INE, ao analisar  conjuntamente os indicadores GWP per capita e PIB per capita dos países da UE28 em 2016, constata-se que Portugal apresenta um GWP per capita relativamente reduzido, face a países com níveis de PIB per capita semelhantes.

 

Ler mais

Recomendadas

Portugal continental regista aumento da seca meteorológica em junho

As regiões do interior norte e centro e a região de Lisboa e Vale do Tejo estão na classe de seca fraca e a região sul encontra-se nas classes de seca fraca e seca moderada.

Governo vai reverter situações “que promovam o recurso a produtos descartáveis” sem necessidade

Face ao aumento do uso de materiais descartáveis à base de plástico, o Ministério do Ambiente esclarece ao Jornal Económico que vai reavaliar os guias de retoma à atividade de alguns setores e manifesta “preocupação pela procura crescente de produtos descartáveis, que pode no futuro vir a converter-se numa questão de saúde pública e ambiental”.
plástico

No Dia Internacional sem Sacos de Plástico, Quercus apela à reutilização

A Quercus destaca que a introdução de uma taxa por cada saco de plástico em Portugal, a partir de 2015, provocou uma forte mudança dos hábitos dos portugueses e que esta medida levou à redução em cerca de 50% no consumo de sacos de plástico nos supermercados.
Comentários