Fernando Alexandre: “Não há nada que represente mais a debilidade das instituições portuguesas do que o valor da dívida”

O economista defendeu que o elevado endividamento de uma economia reflete problemas de gestão e governação pública e privada, “o insuficiente conhecimento” de vantagens competitivas ou “da incapacidade de antecipar” riscos e falta de visão a longo prazo.

Fernando Alexandre
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O economista e professor da Universidade do Minho, Fernando Alexandre, elencou entre as fragilidades da economia portuguesa o elevado endividamento público e privado, defendendo que as instituições que geram crescimento são as que “conseguem retirar a economia do curto prazo”.

Numa conferência sobre a produtividade, organizada pela SEDES – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Social, Fernando Alexandre disse que “um país que viva agarrado à lógica de curto prazo” e que “não há nada que represente mais a debilidade das instituições portuguesas do que o valor da dívida pública e privada”.

O economista explicou que o elevado endividamento de uma economia reflete problemas de gestão e governação pública e privada, “o insuficiente conhecimento” de vantagens competitivas ou da “incapacidade de antecipar” riscos e falta de visão a longo prazo.

“Do lado das empresas também há um problema de governação. Hoje os bancos reconhecem que foram cometidos muitos erros”, acrescentou. Realçou ainda o impacto das empresas zombie na economia portuguesa, que definiu como uma empresa cujo EBITA não é suficiente para pagar os juros das empresas, destacando que em 2012, as empresas zombie ascendiam a cerca de 10 mil e representavam 25% da dívida total das empresas.

O economista apontou, no entanto, que apesar do “efeito negativo no emprego” do salário mínimo, teve o efeito positivo de poder “ter ajudado a retirar um conjunto de empresas ineficientes, que eram mantidas devido a relações com bancos ou outras entidades e que estão a colocar em causa o funcionamento do mercado”.

Alertou ainda para a “dimensão preocupante” de ter uma taxa de poupança muito baixa das famílias portuguesas, que continua uma das baixas da média europeia.

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