Fernando Medina diz que UE precisa de “reparar” união económica e monetária

O presidente da Câmara de Lisboa considerou hoje que o grande desafio, nos próximos anos, a nível europeu, é haver um entendimento sobre como “reparar” a União Económica e Monetária, uma questão por resolver dez anos após a crise.

No 1.º Fórum de Economistas da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), promovido em parceria com a delegação do Centro e do Alentejo da Ordem dos Economistas e que decorre hoje em Lisboa, Fernando Medina disse que “um dos grandes desafios” nos próximos anos “é haver um entendimento a nível europeu sobre como reparar a União Económica e Monetária nas dimensões em que ela se mostrou, que depois da crise não funcionou”.

À margem do fórum, em declarações aos jornalistas, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa adiantou que, no contexto atual, “estão questões tão importantes como a criação de um ativo sem risco, do euro sem uma moeda única que não seja diferente para cada um dos estados que compõem a moeda única, a criação de mecanismos que apoiem a convergência, portanto maior capacidade orçamental da União Europeia, como entidade única”.

“São temas difíceis”, admitiu, sublinhando que “há posições contraditórias”, mas que, no seu entender, é um debate “essencial fazer-se para se tomarem decisões capazes de fixar o grande instrumento que é a moeda única”.

A crise que vivemos, lembrou, “foi muito dura e causou muito sofrimento e, em Portugal, sabemos bem isso”.

Por isso, “é importante que agora que vivemos um período de taxas de juro baixas e de uma certa acalmia que aproveitemos esse tempo para que sejam feitas as reformas a nível europeu”, defendeu.

A questão das migrações foi outro dos desafios para a Europa apontados pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

“A Europa não tem tido uma estratégia com a humanidade e a dignidade suficiente, sendo hoje o bloco mais desenvolvido do mundo e tendo todos os recursos para o fazer”, afirmou.

Este aspeto, para Fernando Medina, tem um impacto direto na relação com África.

“Temos um momento difícil no projeto europeu, muito exigente” e “ou se resolvem estes problemas, (…) ou vamos ter o progresso daqueles que defendem o regresso a uma base nacionalista, com um certo egoísmo nacional e o fechamento de fronteiras”, afirmou.

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