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Festa do Cinema Francês sob o signo de Godard e dos Lumière

O mundo pela lente do cinema francês, entre inéditos e retrospetivas, filmes premiados e primeiras obras. Alain Delon estará em destaque, Amélie Poulain passará por cá e Costa-Gravas também.
26 Setembro 2025, 17h00

A26.ª Festa do Cinema Francês apresenta mais de 60 filmes. A ideia não é impressionar pelo número, mas sim pela diversidade de títulos que se distribuem pelas diversas secções. Alguns poderão ser vistos em primeira mão, antes de ingressarem no circuito comercial. E agora um ‘alerta’ aos cinéfilos para depois nos adentrarmos por esta Festa.

A secção “Belle Époque” revisita filmes imortais e restaurados, como O Acossado, de Jean-Luc Godard (1960). Este destaque é tudo menos inocente. É, acima de tudo, uma sugestão aos mais entusiastas da obra de Godard e àqueles que a desconhecem. À Bout de Souffle, no título original (OAcossado na tradução portuguesa) passará na secção “Belle Éporque”, como referido, e Richard Linklater imagina o mesmo filme na versão “making off”, numa declaração de amor à obra original.

Blasfémia? Será para quem endeusou Godard como intocável. Ou como ‘mito vivo da Sétima Arte’, como escreveu Jacques Mandelbaum na Collection des Grands Cinéastes, dos Cahiers du Cinéma. “Indiscutível, esse epíteto não é necessariamente invejado”. Um risco sísmico que o realizador americano decidiu correr em Nouvelle Vague, filme de abertura da Festa do Cinema Francês, a 2 de outubro.

Spoiler alert. Lumière!, A Aventura Continua, de Thierry Frémaux, diretor do Festival de Cannes, tem antestreia marcada para Lisboa (30 de setembro) e Porto (1 de outubro), antes de entrar no circuito comercial, a 2 de outubro. À ‘aventura’ iniciada em 2016, sob o título Lumière! A Aventura Começa, junta-se agora este segundo documentário, que o também diretor do Instituto Lumière, em Lyon, dirige e comenta, a partir dos 108 filmes que selecionou dos mais de 1400 que levam a assinatura dos irmãos Lumière. Entre obras de arte mundialmente conhecidas e filmes antes desconhecidos, recuperados em 4K, esta é, sem dúvida, uma celebração do extraordinário legado Lumière.

A Festa prossegue com uma retrospetiva de duas dezenas de títulos, a decorrer em outubro na Cinemateca Portuguesa, dedicada ao ator Alain Delon, falecido no ano passado. Já na principal secção da Festa, “Première”, serão exibidos 13 filmes em estreia absoluta em Portugal. Destaque para o thriller distópico ambientado num futuro próximo em Paris, que encerrou a 82.ª edição do Festival de Veneza, Chien 51, de Cédric Jimenez; para a mais recente obra de Cédric Klapisch. La Venue de l’Avenir, passada entre duas épocas (2025 e 1895), que reflete sobre identidade e memória; a somar ao novo filme do lendário cineasta Costa-Gavras, agora com 92 anos, Le Dernier Souffle, onde explora o tema do fim da vida.

A atriz Marina Foïs, protagonista de Moi qui t’aimais, de Diane Kurys, apresentado em Cannes, vai marcar presença em Lisboa para apresentar este biopic centrado em dois vultos da cultura francesa: Simone Signoret e Yves Montand. Para os amantes de cápsulas do tempo, haverá uma sessão especial, a 29 de setembro, em Lisboa, do filme Le fabuleux destin d’Amélie Poulain, de Jean-Pierre Jeunet.
Partir un jour, filme de abertura do Festival de Cannes 2025, realizado por Amélie Bonnin e protagonizado pela aclamada cantora e atriz Juliette Armanet, encerra a Festa do Cinema Francês, a 12 de outubro, no Cinema São Jorge, em Lisboa.


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