Filipa Martins: “Falar de branqueamento de capitais em relação ao CINM não faz sentido”

A associada da Abreu Advogados considera que o maior entrave para o investimento na Madeira é a acessibilidade. “Nunca foi tão caro chegar à Madeira”, refere a ex-diretora do Centro de Formalidades das Empresas no Funchal.

Cristina Bernardo

A advogada Filipa Torres Martins recusa associar qualquer falta de transparência financeira ao Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM). A associada da Abreu Advogados defende uma simplificação legislativa para tornar a região mais atrativa para os investidores e uma fiscalização de âmbito nacional à lavagem de dinheiro.

“Falar de branqueamento de capitais em relação ao CINM é um não assunto. Não faz sentido. As regras são exatamente as mesmas para o resto do país. O que há é uma redução da taxa de imposto, mas as empresas têm de cumprir as mesmas obrigações”, afirmou esta segunda-feira, na conferência “Do CINM à autonomia fiscal: Madeira, uma região regulada de fiscalidade atrativa”, organizada esta segunda-feira pelo Económico Madeira e o Jornal Económico, com o apoio da Abreu Advogados e o alto patrocínio do Governo Regional.

A advogada do escritório da Madeira da Abreu defendeu uma “fiscalização maior, ir para o terreno e aplicar a lei” para prevenir o branqueamento de capitais, quer nas regiões autónomas quer em Portugal continental.

Na Madeira há 20 anos, Filipa Torres Martins destaca os serviços administrativos e os pólos tecnológicos, mas aponta a “dificuldade” dos quadros qualificados e os transportes para chegar à ilha.

“O maior problema da Madeira para o investimento neste momento é a acessibilidade. Nunca foi tão caro chegar à Madeira”, lamenta a ex-vogal do Conselho Diretivo do Instituto de Desenvolvimento Empresaria e antiga diretora do Centro de Formalidades das Empresas no Funchal.

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