Fitch alerta que maioria dos países mundiais estão expostos à guerra comercial entre EUA e a China

A agência de notação financeira considera que a incerteza internacional provocada pelas tensões comerciais tem impacto na política interna dos países.

Reinhard Krause/Reuters

A Fitch está cética de que os estímulos orçamentais e monetários sejam suficientes para enfrentar o enfraquecimento no crescimento, provocado pelas tensões comerciais. Numa nota divulgada esta terça-feira, a agência de notação financeira considera que a atual política monetária, implementada este ano, irá ser seguida por vários níveis de flexibilização orçamental no próximo ano e que os riscos políticos irão afetar as avaliações das dívidas soberanas a nível global.

“A Fitch não acredita que estímulos orçamentais ou monetários sejam capazes de combater completamente os efeitos negativos perturbações do comércio sobre o crescimento, aumentando o risco de que a política seja mais flexibilizada para alcançar um impacto adicional”, justifica a agência, que destaca que os países entram no próximo ano com a economia mundial a desacelerar e os líderes políticos a debater “o que fazer sobre isso”.

A agência alerta ainda que a maioria dos países está exposto às disputas comerciais entre a China e os Estados Unidos, considerando que este fator tem impacto na política interna dos países no contexto de uma maior incerteza internacional.

“Assumindo que as taxas de juros globais permaneçam relativamente baixas, a dinâmica da dívida pública será impulsionada mais pelos saldos primários e pelo crescimento económico, de modo a que a eficácia do estímulo orçamental no apoio ao crescimento será fundamental para o aumento ou a queda dos índices de dívida”, considera a agência.

Explica ainda que “os riscos políticos irão afetar as avaliações em 2020, já que vários conflitos regionais persistem e o descontentamento público centrado nas questões económicas está a aumentar”.

Antecipa ainda que o investimento estrangeiro dos maiores países desenvolvidos siga a tendência de desaceleração iniciada este ano e que numa altura em que “as empresas estão a investir menos a nível interno devido à incerteza económica, investir no exterior pode ser ainda menos atraente”.

Ainda assim, a agência de notação financeira antecipa que as avaliações de rating deverão permanecer estáveis no próximo ano. “Cerca de 75% dos soberanos têm  perspetiva ‘estável’, em linha com a média de longo prazo”, frisa. Mas antevê que o ritmo de upgrades na Europa, registado nos últimos anos, deverá desacelerar.

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