Fitch corta ‘rating’ do Banco Montepio e alerta para viabilidade do banco

A agência de notação antecipa que o Banco Montepio vai dar prejuízos este ano, devido à pressão na margem financeira e ao aumento das perdas com crédito malparado. O resultado do banco também poderá ser pressionado por um aumento do custo de financiamento.

A agência de notação Fitch baixou o rating da dívida de longo-prazo do Banco Montepio de ‘B+’ para ‘B-‘, e a viabilidade do banco, que também passou de ‘B+’ para ‘B-‘.

Na escala de notação da Fitch, a agência de notação considera assim que a dívida de longo-prazo corresponde a investimento especulativo e indica uma elevada possibilidade de default, ainda que a posição financeira do banco suporte o serviço dos compromissos financeiros.

Já o rating sobre a viabilidade fixado em ‘B-‘ significa que a viabilidade futura da instituição de crédito tem é fraca. Existe um risco de falha material, com uma limitada margem de segurança, e a capacidade do banco de continuar a operação sem mais apoios está vulnerável à deterioração do negócio e do ambiente económico.

Em comunicado, a Fitch explica que as duas ações de rating hoje tomadas “refletem a acentuada deterioração do capital no primeiro trimestre de 2020 e das estimativas de rentabilidade operacional, assim como a expectativa [pela Fitch] de que o perfil financeiro se vai deteriorar nos próximos trimestres”.

“Já não vemos a posição do capital do banco comensurável com um rating ‘B+’, particularmente no contexto do aumento do risco para a qualidade dos ativos e a rentabilidade operacional devido ao impacto económico da crise do coronavírus de 2020 e 2021, o que é um fator de alta importância para o rating do Banco Montepio”.

Em relação à perspectiva ‘Negativa’ sobre a emissão de dívida de longo-prazo do Banco Montepio, a Fitch explica que reflecte riscos de médio-prazo no perfil financeiro da instituição financeira, devido ao impacto económico da Covid-19. “Além das baixas almofadas de capital, o banco tem uma capacidade limitada de gerar capital orgânico devido aos elevados níveis de ativos problemáticos no seu balanço, por comparação com os pares portugueses e internacionais, e ainda fraca rentabilidade operacional”.

A agência de notação vinca ainda que o Banco Montepio deve aprofundar a reestruturação da instituição financeira de forma a reduzir os custos no médio-prazo. Recentemente, o Banco Montepio acelerou a transformação digital através da integração de 31 balcões, que representam cerca de 10% dos balcões que o banco tem.

A Fitch lembra que o Banco Montepio conseguiu, através da venda de ativos, reduzir o stock de ativos problemáticos. No entanto, a Fitch antecipa uma deterioração da qualidade dos ativos em 2020 e 2021 devido à “severa contração” da economia este ano e ao aumento da taxa de desemprego em Portugal.

“A exposição bruta do banco aos setores mais vulneráveis, como restaurantes, hotéis, turismo, construção e transportes era elevada e representava cerca de 12% dos empréstimos no final de 2019”, um valor mais “elevado” do que os bancos portugueses.

A Fitch diz ainda que as almofadas de capital do Banco Montepio são baixas, quando comparadas com bancos portugueses e internacionais. No final de março, a instituição financeira apresentava um rácio de capital total de 13,9%, abaixo dos requisitos SREP. O rácio CET1 era de 11,7%, sendo que a Fitch antecipa uma deterioração este ano.

A agência de notação explica que as exposições a dívida soberana poderão resultar numa volatilidade dos rácios de capital, no que diz respeito às exposições classificadas ao justo valor através de outro rendimento integral . As exposições a dívida publica portuguesa, espanhola e italiana representam mais de duas vezes o capital CET1 do Banco Montepio, sendo que metade desta exposição poderá levar a volatilidade nos rácios de capital.

Em relação à rentabilidade operacional do Banco Montepio, a Fitch diz que está abaixo da média europeia e que é “altamente sensível aos níveis das taxas de juro e ciclos económicos” e lembrou que o lucro de cinco milhões de euros registado no primeiro trimestre se deveu à venda de ativos, que compensaram as provisões para crédito relacionadas com a Covid-19. Sem a venda de ativos, “o banco teria reportado um resultado operacional negativo”, vinca a Fitch.

A agência de notação antecipa que o Banco Montepio vai dar prejuízos este ano, devido à pressão na margem financeira e ao aumento das perdas com crédito malparado. O resultado do banco também poderá ser pressionado por um aumento do custo de financiamento.

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