Fitch mantém notação soberana portuguesa em ‘BBB’, dois níveis acima do ‘lixo’

A agência de notação financeira manteve os títulos de dívida portugueses acima do lixo, optando por não se pronunciar. Já este ano o cenário económico nacional havia sido revisto de ‘positivo’ para ‘estável’, refletindo o impacto da pandemia na atividade económica do país.

Reinhard Krause/Reuters

A Fitch manteve esta sexta-feira a notação da dívida soberana portuguesa em ‘BBB’ e a perspetiva económica nacional como ‘estável’. A agência de notação financeira optou por deixar inalterada a avaliação que faz da capacidade do Estado português cumprir com os seus compromissos.

A agência justificou a decisão com a expetativa de que o país retome a trajetória de consolidação orçamental pré-Covid-19, fruto da política fiscal “prudente” do governo nacional, isto apesar do impacto da pandemia no PIB, que, antevê, deve cair 8,8% este ano. A Fitch elogia ainda os mecanismos de preservação de emprego criados para lidar com os efeitos da Covid-19, mas alerta para as “fracas tendências laborais subjacentes” que se continuam a verificar na economia.

A nota de publicação refere ainda o efeito positivo das medidas do Governo e dos programas europeus na qualidade dos ativos financeiros nacionais, mas avisa que o setor continua a revelar algumas fragilidades. Em particular, a questão das moratórias de crédito representa uma incógnita e um foco de incerteza na banca nacional, antevendo que o crédito malparado cresça 9% até ao final de 2021.

Também as contas externas portuguesas são mais fracas do que a maioria das economias avaliadas a ‘BBB’, dado o grau de endividamento nacional. Além disso, o impacto da pandemia no turismo, do qual Portugal é extremamente dependente, causou um agravamento do défice externo nacional, algo que não deverá alterar-se num futuro próximo em função da modesta recuperação económica europeia e das incertezas globais quanto ao setor das viagens.

A Fitch havia já mantido a sua avaliação da capacidade portuguesa de cumprir os seus compromissos ao não se pronunciar a 22 de maio deste ano. Antes, em abril, a agência havia atualizado a perspetiva da economia nacional de ‘positiva’ para ‘estável’ numa revisão não agendada, refletindo a evolução da pandemia no país e o seu impacto nas contas públicas, bem como a elevada exposição ao turismo.

Em setembro, a DBRS manteve a sua avaliação da dívida portuguesa em ‘BBB (alto)’ com um cenário ‘estável. Uma semana antes havia sido a Standard&Poor’s a manter a cotação que dá aos títulos nacionais, que é de ‘BBB’. Por sua vez, a Moody’s atribui o nível ‘Baa3’ à dívida nacional, considerando a perspetiva da economia portuguesas ‘positiva’.

Nos restantes países do sul da Europa, a Fitch considera o cenário espanhol, italiano e grego como ‘estável’, atribuindo a estes títulos as avaliações de ‘A’, ‘BBB-‘ e ‘BB’, respetivamente.

[atualizado às 21h17]

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