Fitch revê em baixa previsão do PIB da zona euro e antecipa contração de 8,2% este ano

A agência de notação financeira norte-americana tinha antecipado uma contração de 7% no último ‘Global Economic Outlook’. No relatório publicado esta terça-feira os analistas antecipam ainda que os programas globais de ‘quantitative easing’ cheguem aos 6 biliões de dólares em 2020 (cerca de 5,5 biliões de euros).

Reinhard Krause/Reuters

A Fitch informou esta terça-feira à noite que reviu em baixa as previsões do Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro e antecipa agora uma contração de 8,2% para este ano, depois de ter divulgado que seria de  7%. A percentagem agora divulgada é mais alta do que a das projeções de Primavera da Comissão Europeia, que apontam para uma contração de 7,75%.

A contração da economia dos países da moeda única deve-se às quedas de atividade maiores do que o esperado em França, Itália e Espanha, que sofreram bloqueios e restrições à circulação mais fortes do que noutros Estados-membros, segundo os analistas.

O novo Global Economic Outlook (GEO) da agência de notação financeira norte-americana reflete ainda um corte nas previsões económicas globais. “Prevê-se agora que o PIB mundial caia 4,6% em 2020, em comparação com um declínio de 3,9% previsto em nosso GEO no final de abril. Isso reflete revisões em baixa na zona euro e do Reino Unido e, mais significativamente, nos mercados emergentes (EM, na sigla anglo-saxónica), excluindo a China “, disse Brian Coulton, economista-chefe da Fitch.

No relatório publicado esta noite os técnicos da Fitch antecipam ainda que os programas globais de quantitative easing (QE) cheguem aos 6 biliões de dólares em 2020 (cerca de 5,5 biliões de euros), o que equivale a metade das compras acumuladas de QE pela Reserva Federal (Fed), Banco Central Europeu, Banco da Inglaterra e Banco do Japão entre 2009 e 2018.

“Essa explosão na liquidez dos bancos central ajudou a garantir uma recuperação do crédito bancário à economia real (especificamente às empresas) nos últimos dois meses, um desenvolvimento que contrasta com o padrão em 2009. No entanto, é provável que o retorno à normalidade económica seja um processo lento e instável”, pode ler-se no documento.

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