Na hora da despedida da liderança do Banco Santander Totta, o CEO Pedro Castro e Almeida que vai assumir a função “chief risk officer” (CRO) do grupo Santander, explicou que “a minha relação com o risco, ao longo destes anos não é uma relação periférica”.
“Uma parte importante das funções que tenho tido, quer como CEO em Portugal, quer como responsável da Europa, quer pelas integrações dos bancos, tem proximidade com o risco, por já ser responsável pela globalidade do negócio”, começou por explicar Pedro Castro e Almeida.
“O Santander tem uma abordagem bastante conservadora a todo o tipo de riscos, e portanto a função do risco é identificar o tipo de riscos, medir, monitorizá-los e gerir os planos”, sublinhou o banqueiro.
“O Santander parte também para esta situação mundial em que vivemos, com níveis de resiliência muito fortes”, reforçou Pedro Castro e Almeida.
O banqueiro diz que “temos um modelo de distribuição, quer de negócio, quer geográfica, que ajuda muito nestes momentos de risco mais elevado, e uma recorrência de resultados, algo imune a estas flutuações”.
“Falo do maior banco, um dos maiores bancos do mundo, naturalmente, e o maior banco da Europa, e vivemos uma situação mundial, provavelmente em termos de chamado risco geopolítico, como já não vivíamos há muitas décadas, e naturalmente no curto prazo, não antevejo assim nenhuma situação de grande perigo, mas a médio e longo prazo há realmente uma dimensão de risco que não tínhamos há uns anos atrás”, explicou o futuro CRO do grupo Santander que já está a assentar arrais em Madrid.
O banqueiro lembrou que hoje “não é só a questão do risco de crédito (e o Santander tem mais de 1 trilião de euros de crédito, é mesmo um dos maiores bancos do mundo em termos de crédito). Há também riscos com ciber-ataques, com a fraude que no mundo inteiro tem vindo a aumentar. Ou seja, dentro da Europa não é só o desafio do Eurodigital, mas também dentro de todo o mundo das stablecoins, dos criptoativos, dos pagamentos, ou seja, das transações, dos fluxos de pagamentos que não passam pelos bancos, e portanto isso traz um nível de risco acrescido, ao que é que era o nosso negócio tradicional”.
“O que vivemos em termos de inovação digital, leva-nos a tornar também mais difícil de perceber muitas vezes o tipo de riscos que poderão surgir, mesmo de novos concorrentes fora até do espaço bancário, ou do que é que se vai passar com a utilização da inteligência artificial e os enormes investimentos que estão a ser feitos, e por isso acho que é um desafio muito interessante”, concluiu.
Pela primeira vez a conferência de imprensa tinha um horário limitado, porque, como revelou Pedro Castro e Almeida, “o FMI está em Portugal, e está a visitar vários bancos e temos uma reunião às 10h30”. Questionado sobre o motivo da visita do FMI, disse “é uma visita normal, recorrente”.
O FMI teve reuniões com bancos portugueses no âmbito da avaliação regular ao setor bancário nacional para avaliar a sua solidez e possíveis riscos.
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