Formação em gestão é cada vez mais valorizada pelas empresas

A mais-valia de uma Pós-Graduação na área de gestão é, de forma transversal, reconhecida pelas empresas, tanto na hora de recrutar como posteriormente, levando-as a investir na aquisição de conhecimento.

A formação na área de gestão tem vindo a ganhar cada vez maior relevância em Portugal e, independentemente do sector de atividade, existe consenso entre as empresas contactadas pelo Jornal Económico (JE) que um colaborador que tenha no currículo uma pós-graduação em gestão será sempre mais valorizado. Em alguns casos, pode ser este o fator diferenciador entre dois candidatos na hora de recrutar.

Na Efacec, o perfil dos candidatos assenta, maioritariamente, em formação nas áreas mais técnicas da engenharia, nomeadamente eletrotécnica, mecânica, eletrónica e informática, e o Diretor Corporativo da área de Gestão de Pessoas, Nuno Ribeiro Ferreira, considera que “a realização de uma pós-graduação nas áreas de gestão passa a configurar um fator de seleção ainda mais diferenciador”.

A empresa considera que as “pós-graduações na área de gestão constituem uma alavanca no desenvolvimento das pessoas, das organizações e dos negócios” e, por isso mesmo, Ribeiro Ferreira diz que uma aposta neste tipo de formação “enriquece exponencialmente o perfil técnico e comportamental dos profissionais” que a empresa procura contratar.

Na Corticeira Amorim, a equipa de recrutamento avalia como importante o conhecimento adquirido em formações em diversas áreas, porém, entende que “a aquisição de conhecimentos através de formação especifica em áreas de gestão pode ser vista como uma vantagem ou como um fator adicional a ter em conta na decisão final”.

Ao JE, Alexandra Godinho, diretora de Recursos Humanos do maior grupo de transformação de cortiça do mundo, reconhece o valor de uma Pós-Graduação numa área de gestão também pelo que representa, uma vez que “pessoas que investem por iniciativa própria neste tipo de formações são, normalmente, pessoas que aspiram evoluir, crescer tecnicamente e desenvolver-se profissionalmente”.

Já no BPI, embora se valorizem os benefícios de ter um colaborador com conhecimentos nesta área, esse não é um “requisito indispensável nem necessariamente o fator decisivo” para o recrutamento. Na verdade, a análise que a instituição financeira faz a um candidato tem em conta diversos fatores, entre os quais os chamados soft skills, nomeadamente, a empatia, percurso e experiência profissional e, claro, as qualificações académicas.

Esse é o caso, também, da Jerónimo Martins. Tiago Gonçalves, Head of Recruitment da retalhista, adianta que são avaliados três fatores na fase de recrutamento: experiência profissional, background académico e competências pessoais. “Quanto mais desenvolvida e reforçada estiver cada uma destas dimensões, mais relevante se tornará a respetiva candidatura. Como tal, uma pós-graduação em gestão é em si mesma uma forma de reforçar uma dessas dimensões, nomeadamente a académica”, explica.

 

Investir na valorização
Mesmo que os colaboradores não possuam formação da área, as empresas tendem a promover a aquisição de mais conhecimento por parte dos seus quadros. Na Jerónimo Martins, por exemplo, Paulo Jesus, Head of Learning and Innovation, refere que a retalhista realiza anualmente “um grande investimento em formação executiva”, que passa por programas exclusivos, concretizados em parceria com universidades nacionais e internacionais de referência, customizados para a Jerónimo Martins, nomeadamente na área da gestão.

O mesmo acontece na Corticeira Amorim, que patrocina formações deste e de outros tipos aos seus colaboradores, “seja como desenvolvimento mais geral, seja pela necessidade em assumir, a médio ou longo prazos, funções que requerem este tipo de formação”.

O BPI considera que “o colaborador é protagonista do seu crescimento profissional” e, anualmente, apoia colaboradores na frequência de pós-graduações, MBA “ou outras, através de apoio financeiro” e da disponibilização de tempo para a formação.

Na Efacec, a Direção de Gestão de Pessoas refere que “as pessoas são o maior ativo” e, por isso, “a formação ocupa um lugar cimeiro” nas prioridades definidas. Assim, através da Mast3r Academia, a escola de formação interna da Efacec, os colaboradores têm à disposição três planos curriculares: corporativo, tecnologia e gestão. Nuno Ribeiro Ferreira adiantou ao JE os detalhes da formação na área de gestão, referindo que não só os colaboradores são apoiados, integral ou parcialmente, na inscrição em programas de gestão, como são convidados a integrarem programas de gestão para executivos, em formato inter-empresas.

Além do mais, em parceria com a Porto Business School, a empresa concebeu um programa de gestão e liderança adaptado à sua realidade, com módulos nas áreas de Finanças, Operações, Estratégia e Liderança. Este ano, prepara-se para avançar com a terceira edição do programa, que já contou com a participação de 80 dos seus colaboradores.

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