A economia nacional acelerou de forma significativa nos últimos três meses do ano passado, mas os riscos a curto prazo estão a crescer, alerta o Fórum para a Competitividade. Em particular, a evolução forte do consumo no final de 2024 não será sustentável e as exportações deverão sofrer com a subida da incerteza e do protecionismo, dinâmicas que serão agravadas com a atual crise política.
A nota de conjuntura do Fórum publicada esta quinta-feira relembra a forte aceleração da economia portuguesa no final do ano, quando o crescimento em cadeia passou de 0,2% para 1,5%, resultando num salto no crescimento homólogo de 1,9% para 2,8%. Olhando para o ano na sua totalidade, o avanço do PIB até ficou abaixo do registado em 2023, abrandando de 2,6% para 1,9%, mas o último trimestre foi de uma dinâmica assinalável.
O consumo privado foi dos principais motivos por detrás desta aceleração, tendo crescido de 0,8% para 2,9%, “sobretudo nos bens duradouros (de 2,4% para 7,3%), mas também nos bens não duradouros e serviços (de 0,7% para 2,5%)”, destaca a nota. “Em termos homólogos, o consumo passou de 3,9% para 5,1%, o valor mais elevado desde o 1º trimestre de 2000, se excetuarmos o período de recuperação do Covid”, acrescenta o Fórum.
Também a componente deu uma ajuda, dada a recuperação das exportações e o recuo em contraciclo das importações, mas o cenário para este ano é bastante mais negativo. A atividade interna já deu sinais de abrandamento, a julgar pelo indicador diário de atividade compilado pelo Banco de Portugal (BdP), e a incerteza global está a prejudicar o investimento.
“A incerteza sobre que tarifas serão aplicadas sobre que países está a paralisar porções significativas do investimento, que só poderá ser decidido depois de ficarem esclarecidas estas dúvidas. Entretanto, é a economia dos EUA e as restantes que são prejudicadas com a timidez das decisões de investir”, argumenta o Fórum, lembrando que estas questões diminuem “a confiança dos consumidores e diminui a necessidade de novos investimentos, reforçando o impacto negativo não só das tarifas, mas da sua muito elevada incerteza”.
Sendo uma economia bastante aberta, a UE dificilmente escapa a “toda esta incerteza internacional”, sobretudo “num momento de debilidade económica e baixa margem orçamental”. E nem o anunciado plano de rearmamento do continente se afigura como solução garantida, visto que “não é claro que venha a ter impactos visíveis no curto prazo”.
Portugal até vinha escapando aos efeitos mais gravosos desta tensão no comércio global e na vertente geopolítica, em grande parte devido ao peso do turismo na economia nacional e ao contributo da imigração, mas, “perante um cenário internacional em degradação, com forte subida da incerteza, há riscos crescentes que o nosso país possa vir a ser prejudicado a breve trecho”. Além do impacto no investimento, sobretudo no público, com prováveis novos adiamentos no cumprimento das metas e marcos do PRR, a crise política em que o país agora entrou arrisca “arrefecer a economia”, contrariando a dinâmica positiva que se arrasta de 2024.
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