Fórum para a Competitividade antecipa recessão técnica no primeiro trimestre devido ao confinamento

A instituição presidida por Pedro Ferraz da Costa admite que existe o “risco sério” de o verão não haver uma “uma clara recuperação” do sector do turismo, o que terá repercussões negativas nas restantes atividades económicas e na taxa de desemprego.

Mário Cruz/EPA/EFE

O Fórum para a Competitividade prevê que os confinamentos deste ano e a situação epidemiológica de Portugal façam com que se verifique uma nova contração do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, criando a chamada “recessão técnica” (dois trimestres seguidos de quedas).

O diretor do gabinete de estudos do Fórum para a Competitividade, Pedro Braz Teixeira, acredita que este cenário se deve aos “novos confinamentos de 2021, cujo fim é ainda muito difícil de prever, os valores extremamente elevados de novos casos de Covid-10 e de mortes”, bem como aos receios nos atrasos das vacinas.

No terceiro trimestre do ano passado, a economia portuguesa teve uma queda de 5,7% comparativamente ao mesmo período de 2019 “em grande medida” por causa do comportamento da procura interna, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

No relatório nº 12 das Perspetivas Empresariais, relativo ao quarto trimestre de 2020, a instituição presidida por Pedro Ferraz da Costa admite que existe o “risco sério” de o verão não haver uma “uma clara recuperação” do sector do turismo, o que terá repercussões negativas nas restantes atividades económicas e na taxa de desemprego. “Há muitas empresas dependentes desta recuperação que, se não se materializar, tem condições para produzir fortes estragos”, alerta.

Ainda assim, o fórum destaca a recuperação das exportações, citando os dados do INE que apontam para um crescimento nominal de 4,9% das suas exportações em 2021.

No mesmo documento, o  CEO e presidente do conselho de administração da Efacec adverte para a importância da “previsibilidade” na gestão, “para que a implementação de estratégias seja sólida a curto, médio e longo prazo”. “Estamos perante um dos quadros mais instáveis das últimas décadas, com a certeza de que os impactos económicos e sociais da pandemia se vão refletir pelo menos durante todo o ano de 2021”, começa por explicar.

“Perante isso, torna-se essencial ter uma forte capacidade de adaptação e de ajustamento, aliada a uma grande capacidade de resiliência, ao mesmo tempo que teremos de desenvolver novas competências e maior competitividade. É com este enquadramento que as exportações ganham um papel ainda mais relevante para o nosso país”, explica Ângelo Ramalho.

Fórum para a Competitividade antecipa retoma do PIB entre 1% e 4% em 2021

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