Forum para a Competitividade diz que aumento do salário mínimo pode resultar na perda de 100 mil postos de trabalho

Os economistas sustentam que poderá ter um impacto de entre um e dois pontos percentuais na taxa de desemprego, assim como uma degradação das contas externas, entre 1,5% e 3% do PIB.

O Forum para a Competitividade projeta que novas subidas extraordinárias do salário mínimo, sem medidas que estimulem o aumento da produtividade, pode resultar num cenário que gere perdas de entre 50 e 100 mil postos de trabalho. O aviso consta da “Nota de Conjuntura” de novembro, divulgada esta terça-feira, que considera que “teme-se contrapartidas insuficientes”.

Os economistas sustentam ainda que poderá ter um impacto de entre um e dois pontos percentuais na taxa de desemprego, assim como uma degradação das contas externas, entre 1,5% e 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Realçando que “subidas anteriores beneficiaram de conjuntura externa excepcional e congelamento anterior”, o Forum para a Competitividade diz que a atual conjuntura internacional está em clara deterioração, “quer devido ao final do ciclo económico, quer a perturbações como a guerra comercia, o Brexit, entre outras”.

“De registar, no mercado nacional, a manutenção da classificação de risco elevado nos setores do têxtil e do calçado, que sofreram até julho de 2019 evoluções negativas das exportações (-0,1% e -5,6%, respetivamente) num contexto de crescimento global das exportações de 2,2%”, realçam, para sustentar que “já se regista um claro “stress” devido aos anteriores aumentos e é sobre empresas fragilizadas que os novos aumentos se vão aplicar”.

O Forum para a Competitividade frisa que “aparentemente, o governo quer que o salário mínimo suba até 750 euros em 2023, enquanto as associações patronais parecem dispostas a concordar com uma subida até 700 euros, mediante a negociação de contrapartidas”, destacando que “não é ainda claro quais serão essas contrapartidas, mas teme-se que sejam muito insuficientes”.

Os economistas explicam que “as consequências de subidas extraordinárias do salário mínimo são muito diferentes no sector transaccionável (agricultura e indústria) e no sector não transaccionável (serviços)”. Se nos primeiros, a subida do salário mínimo pode conduzir a uma subida dos preços “dos bens não transaccionáveis (sobretudo serviços), porque toda a concorrência é nacional”, no sector transacionável  as coisas passam-se “de forma inteiramente diversa”.

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