Fórum para a Competitividade estima queda de até 8,5% do PIB no primeiro trimestre

“O confinamento mais estrito, somado ao autoconfinamento, terão tido um impacto económico acentuado, visível já nos primeiros indicadores do ano. No turismo, houve deterioração de expectativas, já sem esperança em relação à Páscoa”, argumenta a entidade.

Lisboa, Portugal | Pedro Fiúza/NurPhoto/Getty Images

O Fórum para a Competitividade prevê uma queda em cadeia do Produto Interno Bruto (PIB) português de entre 3% e 6% no primeiro trimestre de 2021 e uma diminuição homóloga entre 5,5% e 8,5%.

“O confinamento mais estrito, somado ao autoconfinamento, terão tido um impacto económico acentuado, visível já nos primeiros indicadores do ano. No turismo, houve deterioração de expectativas, já sem esperança em relação à Páscoa. Destaca-se também o atraso nas vacinas e a ausência de uma campanha internacional para limpar a nossa imagem com os casos de pandemia muito elevados registados no início de 2021”, argumenta a instituição.

O gabinete de estudos do Fórum para a Competitividade, liderado por Pedro Braz Teixeira, alerta sobretudo para o impacto nas restrições no sector terciário, apesar de ter assistido a uma subida “um pouco surpreendente” da confiança dos consumidores portugueses no primeiro mês do ano.

“Verificou-se uma queda no mês seguinte, mais alinhada com a deterioração do sentimento no comércio a retalho. Nos serviços é que se registou uma quebra muito mais acentuada, por serem das atividades mais diretamente afetadas pelo confinamento que, desta feita, criou novas restrições um pouco surpreendentes (vendas de vestuário, livros e outros produtos nas grandes superfícies)”, argumenta.

Em relação a um dos sectores com mais impacto na economia nacional, o do turismo, o Fórum para a Competitividade reitera que se verificou uma deterioração de expectativas, nomeadamente perante o período da Páscoa – que alguns empresários e especialistas viam como tábua de salvação, mas vislumbram-se agora uma época pascal “sem esperança”.

“Destaca-se também o atraso nas vacinas e a ausência de uma campanha internacional para limpar a nossa imagem com os casos de pandemia muito elevados registados no início de 2021”, refere a entidade presidida por Pedro Ferraz da Costa.

Fórum para a Competitividade vê economia a cair até 4% este ano

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