Fosun injeta 13 milhões de euros no aumento de capital da Fidelidade

A Fidelidade convocou uma assembleia-geral para 25 de setembro onde vai aprovar um aumento de capital de 51,9 milhões de euros, passando de 457,38 milhões para 509,26 milhões. Parte deste aumento é com ações da Multicare e Fidelidade Assistance, que serão integradas e 12,9 milhões é com injeção de dinheiro.

Cristina Bernardo

A Fidelidade vai integrar a Multicare e a Fidelidade Assistance e, com esta integração de empresas que pertencem 80% à Fosun e 20% à CGD, a companhia de seguros liderada por Jorge Magalhães Correia vai fazer um aumento de capital de 51,9 milhões de euros, passando de 457,38 milhões para 509,26 milhões de euros, tal como consta da convocatória da assembleia-geral convocada para 25 de setembro.

A notícia foi avançada pelo jornal “Eco” e pelo “Jornal de Negócios” e confirmada pelo Jornal Económico.

Tal como explicou ao JE fonte da Fidelidade, nesta operação haverá uma transformação em capital de prestações suplementares da Fosun no valor de 12,97 milhões de euros, abatendo este valor ao conjunto de prestações suplementares de capital que esta acionista disponibilizou à Fidelidade para aquisição da Luz Saúde. A Fosun disponibilizou inicialmente 500 milhões de euros para que Fidelidade comprasse a Luz Saúde e esse valor está contabilizado no balanço da companhia de seguros como prestações suplementares de capital (o que na prática é como se tivesse sido uma espécie de empréstimo da Fosun à Fidelidade).

O que vai fazer a Fidelidade? 

Quando houve a privatização dos seguros do grupo Caixa Geral de Depósitos, no tempo do Governo de Pedro Passos Coelho, foram vendidos 84,99% da Fidelidade à Fosun, ficando a CGD com os 15%, Mas foram também vendidos aos chineses 80% da Multicare, ficando a CGD com 20% e ainda 80% da seguradora autónoma Fidelidade Assistance (também aqui a CGD ficou com 20%).

Mas a administração da Fidelidade considerou que atualmente a separação da Multicare e da Fidelidade Assistance deixou de fazer sentido e considera que a integração destas seguradoras na estrutura acionista direta da Fidelidade vem reforçar a proposta competitiva do grupo, “que, como é sabido, tem assentado na criação de diversos ecossistemas com oferta verticalizada”, ao mesmo tempo que favorece e simplifica a governance da companhia de seguros.

Portanto, decidiu integrar as duas seguradoras, que atualmente têm uma estrutura própria e uma administração própria na Fidelidade e convocou uma assembleia geral para o efeito.

Até esse momento era entendido que a seguradora de saúde Multicare e a Fidelidade Assistance seriam empresas que poderiam prestar serviços a entidades fora do grupo e daí terem ficado fora de perímetro formal do grupo, o que agora deixará de ser. Fonte da empresa diz que cerca de 90% dos clientes da Multicare são da Fidelidade e da CGD.

Na integração, a Fosun entra com os 80% das ações da Multicare e 80% das ações da Fidelidade Assistance para o aumento de capital da Fidelidade. Já a CGD entra com os 20% da Multicare e com os 20% da Fidelidade Assistance. Assim, há uma parte do aumento de capital de 51,9 milhões da Fidelidade que é em espécie.

Mas como os acionistas da Fidelidade (a Fosun e CGD) não querem alterar a estrutura acionista atual da seguradora – cerca de 85% são da Fosun (sendo que 0,1% está na mão dos trabalhadores) e 15% da CGD – foi preciso um encontro de contas. Assim “os 12,9 milhões de euros de devolução à Fosun de prestações suplementares são reinvestidos no aumento de capital”, explica fonte da companhia.

Portanto é como se a Fosun entrasse com uma parte do aumento de capital em dinheiro, no valor de 12,9 milhões. Assim, no final da integração, quer a Fosun, quer a CGD mantêm a sua posição acionista atual.

O aumento de capital, segundo a convocatória, será mediante a emissão de 16.470.960 ações ao valor nominal de 3,15 euros, com um ágio de 12,16 euros por ação, perfazendo um valor total por ação de 15,31 euros.

As entradas em espécie (ações das duas companhias integradas) valem 38,9 milhões de euros a que corresponde uma entrada com ágio de 189,13 milhões, mediante a emissão de 12.353.220 novas ações, reservadas aos atuais acionistas da Multicare e Fidelidade Assistance, ou seja a Fosun e a CGD.

A proporção do aumento de capital é 1.000 ações da Multicare por 1.369,3 novas ações da Fidelidade e 1.000 da Fidelidade Assistance por 3.306 novas ações da seguradora liderada por Jorge Magalhães Correia, a serem subscritas pelos acionistas “Longrun Portugal SGPS e Caixa Geral de Depósitos”.

Já no aumento de capital por entrada de dinheiro de 12,97 milhões (a que corresponde um ágio, ou prémio, de 63 milhões de euros) há uma emissão de 4.117.740 novas ações com subscrição reservada a acionistas, “no exercício do respetivo direito de preferência, na proporção de 0,2836169 novas ações por cada 10 detidas, com arredondamento por defeito, havendo lugar a rateio entre acionistas que manifestem interesse nas ações não subscritas” diz a convocatória da AG. Isto caso não sejam exercidos todos os direitos de subscrição.

O reembolso de prestações acionistas sujeitas ao regime das prestações suplementares depende da realização do aumento de capital, detalha a agenda da AG.

De acordo com a Fidelidade, “os pontos previstos para a Assembleia Geral de setembro de 2020 têm como objetivo central a simplificação da estrutura societária do Grupo Fidelidade”.

“A Multicare e a Fidelidade Assistência passarão a ser detidas pela Fidelidade, mantendo-se, após a concretização do aumento de capital, as posições acionistas relativas dos dois maiores acionistas da Fidelidade: Fosun e CGD”, refere a fonte oficial da seguradora.

“Esta integração vai reforçar a proposta competitiva do grupo com a continuação da estratégia atual que consiste na criação de diversos ecossistemas integrados e com oferta verticalizada”, acrescenta a Fidelidade.

Este aumento de capital, “além da simplificação já referida, trará como beneficio direto o reforço do rácio de capital de solvência da Fidelidade, contribuindo assim para a solidez da companhia”, refere ainda a seguradora ao Jornal Económico.

Segundo a mesma fonte, o rácio de solvência resultante da operação agora proposta manter-se-á acima dos 160% em linha com o mercado e com as exigências regulatórias. “É um rácio de solvabilidade muito sólido e que permitirá a continuação da política de expansão internacional da companhia bem como a continua aposta no crescimento da operação em Portugal, apesar do contexto em que vivemos”, diz a companhia.

Esta operação, tal como lembra esta quarta-feira o “Jornal de Negócios”, estava para ser feita em novembro do ano passado, mas acabou por ser adiada, porque “os aumentos de capital em espécie precisam de um conjunto de avaliações e autorizações administrativas que têm que ser renovadas e só agora, neste contexto, foi possível fazê-lo”.

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