Fundo de Resolução pediu à Deloitte para incluir a reestruturação que estava “sob auditoria específica”

“Pedimos auditorias específicas sobre uma reestruturação que não estavam concluídas, e por isso entendemos que fosse englobada no âmbito da auditoria que a Deloitte fez”, disse o presidente do Fundo de Resolução. Sem o dizer, Máximo dos Santos estaria a falar da reestruturação do crédito da empresa do presidente do Benfica. O Fundo de Resolução pediu auditoria específica a transações do banco com a Promovalor.

Luís Máximo dos Santos estava a responder aos deputados na Comissão de Orçamento e Finanças (COF) sobre o motivo para ter sido responsável por originar 22 devedores adicionais na amostra da auditoria da Deloitte.

“Pedimos auditorias específicas sobre uma reestruturação que não estavam concluídas, e por isso entendemos que fosse englobada no âmbito da auditoria que a Deloitte fez”, disse o presidente do Fundo de Resolução, Luís Máximo dos Santos.

Sem dizer, Máximo dos Santos estaria a falar da reestruturação do crédito da empresa do presidente do Benfica. O Fundo de Resolução pediu auditoria específica a transações do banco com a Promovalor.

A empresa de Luís Filipe Vieira é um dos maiores devedores do Novo Banco. O grupo, que causou à instituição uma perda de 225,1 milhões de euros entre agosto de 2014 e o final de 2018, está sob investigação do Fundo de Resolução. Isso mesmo foi confirmado ontem pelo presidente do Novo Banco, que perante a pergunta concreta da deputada do Bloco de Esquerda disse que está em curso uma auditoria específica, a pedido do Fundo de Resolução, às operações mais recentes em torno do grupo Promovalor, de Luís Filipe Vieira.

“São operações que são analisadas em detalhe, que foram autorizadas pelo Fundo de Resolução e que o Fundo de Resolução, de facto, pediu também uma auditoria específica para que ela fosse analisada em profundidade. Auditoria essa que está em curso“, disse o CEO do banco.

“Mantemos integralmente todas as garantias e que se mantém o direito de opção de venda da nossa participação em relação ao referido investidor do grupo 2. Esta participação é um crédito que — se pura e simplesmente não se realizar — fica exatamente na mesma situação em que estava“, acrescentou António Ramalho.

O banco tinha uma exposição ao Grupo Promovalor de Luis Filipe Vieira, em junho de 2016, que era 179 milhões superior à registada em agosto de 2014. Em dezembro de 2018 a exposição era 60 milhões superior à de 2016. Em suma a exposição total do banco à Promovalor era de 760 milhões com uma perda registada de 255 milhões. Mas em 2018 a divida desapareceu do balanço porque o banco deu dinheiro a um fundo para comprar as dívidas de Luís Filipe Vieira, disse Mortágua.

“O Fundo de Resolução indicou-nos 47 devedores que na sua perspetiva deviam ser incluídos na amostra”, revela a Deloitte no relatório da auditoria aos atos de gestão do Novo Banco entre 2000 e 2018. Destes devedores, 25 já estavam incluídos na amostra que a auditora definiu, pelo que a seleção do Fundo de Resolução originou 22 devedores adicionais a incluir na amostra.

Estes 22 devedores foram responsáveis por perdas acumuladas de 30 milhões, entre 4 de agosto de 2014 e 31 de dezembro de 2018, graças às imparidades que foram constituídas.

Sobre o Nata 2, Luís Máximo dos Santos, explicou que pediu para retirar alguns créditos ao portfólio de malparado, porque “a oferta por alguns desses créditos era zero”, e achámos que a esse grupo de créditos podia ser dada outra oportunidade de tentar a recuperação.

Referia-se ao crédito da Ongoing (350 milhões mais 240 milhões em papel comercial) e da Prebuild (252 milhões). O Fundo de Resolução também exigiu a retirada do perímetro do Nata II dos créditos do Grupo Tiner (169 milhões), Grupo Tricos (82 milhões) e Fundo de Investimento Tavira (nove milhões). Quem ficou com esta carteira foi o fundo norte-americano Davidson Kempner.

Fundo de Resolução pediu à Deloitte para acrescentar 22 devedores do Novo Banco à amostra

 

 

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