Futuro da logística em Portugal passará pela automação e comércio eletrónico

O ‘boom’ do comércio eletrónico será o principal motor da logística portuguesa no futuro a curto e médio prazo, uma vez que foram várias as empresas, principalmente do setor do retalho, que se viram forçadas a reforçar a sua presença online e a apresentar soluções alternativas neste campo para os consumidores.

Os desafios da logística portuguesa estão diretamente ligados às necessidades criadas pela pandemia de Covid-19 a praticamente todos os setores comerciais portugueses. Durante o evento Portugal Exportador, do qual o Jornal Económico é media partner, Manuel Moreira, CEO da Ramirez conservas, Nuno Rangel, CEO da Rangel Logistics Solutions, e Rui Magalhães, diretor da Associação Portuguesa de Logística (APLOG), discutiram o futuro do setor em Portugal.

O ‘boom’ do comércio eletrónico será o principal motor da logística portuguesa no futuro a curto e médio prazo, uma vez que foram várias as empresas, principalmente do setor do retalho, que se viram forçadas a reforçar a sua presença online e a apresentar soluções alternativas neste campo para os consumidores. Consequentemente, os profissionais do setor da logística assistiram a um aumento do número de importações/exportações sem precedentes, que foi muito condicionado pela paralisação do setor aéreo, motivando uma série de adaptações à forma como é feita a distribuição em Portugal e dos produtos portugueses para o estrangeiro.

Manuel Moreira, CEO da Ramirez conservas, explica que apesar dos desafios impostos pela pandemia ao acesso a matérias primas, foram geradas várias oportunidades como “um aumento da procura pelos nossos produtos, maior encurtamento da cadeia de valor e, devido às restrições impostas a outros países, um menor grau de concorrência”.

Em relação ao comércio eletrónico, Moreira explica que “as empresas terão de estar preparadas para lidar com a universalização desta forma de comércio”, aproveitando para isso “maiores níveis de stock a curto e médio prazo”. O CEO da Ramirez refere ainda que a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos servirá “como uma boa oportunidade para reforçar a presença em ambos os mercados”.

Nuno Rangel, CEO da Rangel Logistics Solutions, destaca que numa primeira fase as restrições impostas em território chinês, fruto da pandemia de Covid-19, refletiu-se nas “dificuldades no carregamento de mercadorias” problema que acabaria por ser ultrapassado, mas que seria sucedido pela crise no setor da aviação que gerou uma inflação nos preços de transporte.

Rangel afirma que “a logística não acabou” e que a pandemia reforçou “o apoio da logística à atividade económica”. Em relação ao comércio eletrónico, o CEO da Rangel Logistics Solutions, explica que “o crescimento deste setor foi acelerado pela pandemia, promovendo o seu crescimento e fortalecendo as empresas”. Reconhece que o e-commerce “veio para ficar” e que a logística portuguesa “está preparada para mudar consoante os desafios que forem surgindo”.

Rui Magalhães, diretor da APLOG, enaltece a adaptação da grande maioria das empresas portuguesas, incluindo as do setor da logística, à digitalização e ao reforço da presença no comércio eletrónico, e sublinha que “este será o caminho a curto e médio prazo”, acrescentando que “para alguma empresas e algumas categorias de produtos é a única alternativa que existe, mas isto precisa de ter uma preparação bastante grande. Há toda uma envolvente que vai desde a componente fiscal à legal, para que seja um negócio e não uma hipoteca”.

O diretor da APLOG, aponta novos desafios para o futuro como “a automação, modelos positivos de planeamento, colaboração entre operadores logísticos e exportadores, sistemas integrados uma vez que as empresas têm de estar ligadas umas às outras”. Rui Magalhães afirma que na componente da saúde, Portugal poderá ter um papel muito importante, pois considera que “podemos funcionar como um HUB para outros países, devido ao nosso ‘know how’ aprofundado”. Por fim, considera que “capitalizar as empresas” é um dos modelos a seguir, porque em Portugal “há muito para fazer do ponto de vista da tecnologia e da automação, mas também das pessoas. Quanto mais competentes e habilitadas as pessoas tiverem, melhor”.

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