Galp à boleia da escalada do petróleo põe PSI 20 em alta em contra-ciclo

A bolsa portuguesa encerrou o dia em alta em linha com a Europa. O petróleo foi a estrela da sessão. A justificar esteve o ataque a duas instalações petrolíferas na Arábia Saudita por drones, o que fez reduzir a capacidade de produção para menos de metade.

Paulo Whitaker/Reuters

A Galp aproveita a escalada do petróleo e leva o PSI 20 a subir 0,22% para 5.016,81 pontos.

O barril de Brent do mar no Norte disparou 11,87% para 67,37 dólares e o crude West Texas no NYMEX dispara 11,49% para 61,15 dólares.

Tal como seria de esperar, as ações da Galp lideraram os ganhos, com uma valorização de 3,27% para 13,595 euros, na sequência do ataque às duas maiores regiões de refinação de crude e de gás da Arábia Saudita, o que fez reduzir a capacidade de produção para menos de metade.

O BCP registou um ligeiro ganho, 0,28% para 0,2140 euros. “De lembrar que a ação foi impulsionada pela evolução ascendente das yields e pelo facto da decisão do BCE (mitigar os efeitos negativos das taxas negativas nas rentabilidades dos bancos) retirar uma incerteza do horizonte”, diz o  analista do BPI.

Destaque para a subida das ações dos CTT (+2,19% para 2,238 euros) depois que foram eleitos os órgãos sociais do Banco CTT, liderado por João Moreira rato e Luís Pereira Coutinho.

A Semapa disparou 1,92% para 12,720 euros e a Pharol subiu 1,72% depois que o El Confidencial anunciou que a Telefónica quer comprar a Oi no Brasil.

Já a Mota-Engil (-0,94% para 2,118 euros) foi alvo de uma pressão vendedora que, em parte, poderá ser justificada pela realização de mais-valias decorrente da forte apreciação que os títulos registaram na semana passada, segundo o BPI.

A Sonae Capital caiu 2% para 0,637 euros.

A maioria das bolsas europeias encerrou em território negativo, com a praça de Lisboa a ser a principal exceção. O EuroStoxx 50 desceu 0,89% para 3.518,45 pontos.

Nas principais praças o terreno negativo dominou. O FTSE 100 caiu 0,62% para 7.321,4 pontos; o CAC 40 tombou 0,94% para 5.602,2 pontos; o DAX recuou 0,71% para 12.380 pontos; o FTSE MIB desceu 0,96% para 21.969,2 pontos e o IBEX perdeu 0,94% para 9.052 pontos.

O petróleo fez os seus estragos nas bolsas da Europa. Com as companhias aéreas na Europa a mostrarem-se castigadas pelo potencial impacto nos preços dos combustíveis da escalada do petróleo. Por exemplo a Lufthansa caiu 2,84% e a Air France- KLM recuou 3,21%.

No sábado, 10 drones atacaram as regiões onde o petróleo é refinado e armazenado de Abqaiq e Khurais na Arábia Saudita. Devido a este ataque, as autoridades do reino saudita viram-se forçadas a suspender cerca de metade da produção e refinação de petróleo e gás do país, o equivalente a cerca de 5 milhões de barris/dia. Ainda se desconhece quando a produção e refinação de crude será retomada. Este ataque foi reivindicado pela fação Houthi do Iémen, que combate os militares sauditas nesse país e supostamente é apoiada pelo Irão.

“De resto a perda de momentum no ritmo de crescimento da produção industrial e das vendas a retalho na China e os fracos dados de atividade industrial em Nova Iorque limitaram o sentimento. É natural que os investidores estejam a adotar uma postura wait and see, uma vez que na próxima quarta-feira a Fed fará comunicações importantes sobre a sua política monetária”,  revela o analista do Millennium BCP, na sua nota de fecho dos mercados.

No mercado de dívida soberana a Alemanha viu os seus juros negativos caírem 3,1 pontos base para -0,48%. Portugal tem os juros a 10 anos em queda de 5 pontos base para 0,271% e Espanha a caírem 4,5 pontos base para 0,257%. Itália tem os juros em queda de 3,8 pontos base para 0,8943%.

O euro cai 0,64% para 1,1002 dólares.

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