Galp: “Matosinhos foi a quinta refinaria da Europa a anunciar o encerramento da sua atividade”

As novas refinarias na Ásia e Médio Oriente, as regras ambientais em Portugal e na Europa, a falta de competitividade da refinaria, e uma produção superior ao consumo na Península Ibérica contribuíram para a decisão de encerramento da refinaria. “No ranking de competitividade das refinarias na Europa encontra-se na cauda”, disse hoje a empresa. Dos 401 trabalhadores, 60 vão manter-se no parque logístico de combustíveis que continua em funcionamento.

A Galp disse hoje que vários  fatores contribuíram para o encerramento da refinaria de Matosinhos, incluindo novas regras ambientais na Europa e Portugal e novas refinarias.

“Matosinhos foi a quinta refinaria da Europa a anunciar o encerramento da sua atividade, a que se juntam mais 10 refinarias na Ásia, Austrália e América do Norte. As mais recentes previsões da evolução de consumo na Europa apontam para uma redução de 19% até 2030 e mais de 44% até 2040”, disse hoje o administrador da Galp José Carlos Silva.

O responsável também apontou que o quadro regulatório na Europa com nova regras ambientais estão a dificultar a vida das refinarias europeias, como o Acordo de Paris, o Green Deal europeu, o roteiro nacional de neutralidade carbónica até 2050, o Plano Nacional de Energia e Clima 2030, a diretiva de energias renováveis que prevê 14% de incorporação de energias renováveis até 2030 nos transportes, ou as proibições de venda de carros de combustão interna que já foram aprovadas em vários países europeus e que pode ser aprovada este ano em Portugal.

José Carlos Silva apontou também que a construção de novas refinarias no Médio Oriente e na Ásia também vão tirar espaço de manobra a Matosinhos, que tem menos competitividade face às refinarias europeias, destacou. “No ranking de competitividade das refinarias na Europa encontra-se na cauda”.

O responsável também apontou que Portugal conta com 20% da capacidade de refinação ibérica, cuja produção total é superior ao consumo em Portugal e Espanha.

“A exportação vai estar cada vez mais em risco à medida que a capacidade de refinação no Medio Oriente e Sudeste Asiático, cerca de oito milhões de barris por dia, comecem a entrar no sistema, no mercado a partir  do próximo ano”, disse José Carlos Silva.

O administrador também afirmou que as “pessoas são a principal preocupação” da empresa. Dos 401 trabalhadores diretos da refinaria, 60 vão manter os postos de trabalho no parque logístico e de armazenamento de combustíveis. Para os restantes 340 trabalhadores, a empresa está a estudar soluções de mobilidade interna e de requalificações de competência.

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