A Galp está hoje a valorizar mais de 2% na bolsa de Lisboa para mais de 14,9 euros com o anúncio da fusão dos negócios de postos de combustível e de refinação com os espanhóis da Moeve (ex-Cepsa). Mais de 1,16 milhões de ações trocaram de mãos na sessão desta quinta-feira.
A ideia é criar a empresa RetailCo para dar origem uma mega-rede ibérica de 3.500 estações de serviço e com vendas de produtos petrolíferos a clientes diretos na ordem dos 6,5 milhões de toneladas, dados de 2025. A Galp fica com 50% do capital e a Moeve com o restante.
Na IndustrialCo, a ideia é juntar as refinarias das duas empresas (a Galp tem Sines) para ficar com uma capacidade de processamento diário de 700 mil barris de produtos petrolíferos, mas também significa juntar os ativos industrias da transição energética, como os projetos de baixo carbono da Galp em Sines (biocombustíveis e hidrogénio), com o Vale de Hidrogénio Verde da Andaluzia que visa a criação de dois centros de produção de hidrogénio verde. A Galp fica com 20% desta sociedade com o restante para a Moeve.
A Moeve é a antiga Cepsa, fica sediada em Madrid, e é controlado pelos emiratis da Mubadala e pelos americanos do Carlyle Group.
“Esta transação irá potenciar uma estratégia clara consolidado, crescimento do free cash flow e aumento da capacidade de retorno de capital aos acionistas”, segundo comunicado hoje divulgado pela Galp.
A transação ainda está sujeita a mais negociações, incluindo um processo aprofundado de due dilligence e a aprovações internas. A conclusão também será sujeita a autorizações de reguladores, com o acordo final a ser esperado em meados de 2026.
Como empresas separadas, “ambos os negócios devem ser independentes financeiramente e estão bem posicionados para gerar sinergias e eficiências operacionais, perseguindo oportunidades e avançar com soluções de transição energética”.
E a exploração de petróleo? A Galp diz que vai reforçar o seu foco em “gerar valor para os seus acionistas, alavancando as suas posições-chave no segmento de Upstream, com um portefólio altamente competitivo que se mantém como o motor central de crescimento da Empresa, em conjunto com os negócios de Renováveis e de Aprovisionamento & Trading de gás e eletricidade”.
A transação proposta permitirá à “Galp reforçar ainda mais o seu foco estratégico, mantendo-se simultaneamente como um acionista relevante nas duas novas plataformas de Downstream, alavancando as suas posições de excelência operacional”.
A ideia é criar duas plataformas energéticas ibéricas:
“uma plataforma de mobilidade focada no retalho de combustíveis (incluindo carregamento de veículos elétricos) e conveniência, para servir clientes B2C e apoiar o desenvolvimento de soluções de mobilidade de proximidade (RetailCo)”;
“uma plataforma industrial focada em refinação, petroquímica, trading e combustíveis de baixo carbono, ao serviço de clientes B2B (IndustrialCo)”.
Durante as negociações, a Galp e a Moeve vão continuar a operar como “empresas independentes, com plena continuidade das operações, do abastecimento e do serviço aos clientes em todas as atividades e geografias”.
Para o negócio ser fechado é preciso ainda proceder à “negociação e execução de acordos finais e vinculativos, às aprovações societárias necessárias e às autorizações regulatórias aplicáveis. Nesta fase, não foram tomadas decisões finais e não existem impactos nas operações em curso das empresas, nos seus colaboradores ou nas relações comerciais existentes”.
“A Galp e a Moeve comprometem-se a manter o mercado, os colaboradores e os restantes stakeholders relevantes informados, em conformidade com as respetivas obrigações legais e de divulgação de informação”, pode-se ler no comunicado divulgado.
O que dizem os responsáveis das duas empresas?
Em comunicado, a presidente do conselho de administração da Galp Paula Amorim disse: “Ao agregar as capacidades e a experiência complementares da Galp e da Moeve nas operações de Downstream, temos a oportunidade de criar grandes grupos europeus na Península Ibérica, cada um beneficiando de maior foco, alocação de capital ajustada e flexibilidade essencial para impulsionar um crescimento sustentável e gerador de valor. Acredito firmemente que esta oportunidade reforça a nossa capacidade de apoiar e promover uma transição energética justa, capaz de endereçar a evolução das necessidades do mercado e de assegurar um fornecimento de energia seguro e responsável à Península Ibérica.”
Já o CEO da Moeve Maarten Wetselaar afirmou: “Ao reunir excelência industrial, alcance das atividades de Downstream e um forte pipeline de projetos de baixo carbono, pretendemos atrair capital sustentado e acelerar a implementação de soluções que apoiem a competitividade, a descarbonização e o crescimento económico. Na Moeve acreditamos que o investimento disciplinado, a inovação tecnológica e as parcerias de longo prazo são essenciais para garantir que a transição energética se traduza em negócios prósperos e preparados para o futuro na região”.
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