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Generali espera abrandamento económico nos Estados Unidos motivando a Fed a baixar juros

O head of Fixed Income da Generali AM, Mauro Valle, considera que um corte nas taxas, pela Reserva Federal norte-americana (Fed), em setembro, “dependerá provavelmente” dos próximos números da inflação, que devem ser conhecidos a meados de agosto.
6 Agosto 2025, 13h02

O head of Fixed Income da Generali AM, Mauro Valle, prevê que a economia dos Estados Unidos “abrande ligeiramente” nos próximos meses, com um mercado de trabalho mais fraco, fatores que podem levar a Reserva Federal norte-americana a cortar as taxas de juro nos últimos meses do ano.

Mauro Valle salienta que o mercado está à espera que a Reserva Federal norte-americana (Fed), até dezembro, corte 2,4 vezes as taxas de juro, acrescentando que um corte nas taxas em setembro “dependerá provavelmente” dos próximos números da inflação norte-americana, que devem ser conhecidos a meio de agosto, e que vão surgir após os acordos tarifários alcançados pelos Estados Unidos com os vários parceiros comerciais.

Neste contexto Mauro Valle diz que o discurso do presidente da Fed, Jerome Powell, a 21 de agosto, “será mais uma vez crucial”.

Relativamente às taxas de juro norte-americanas a 10 anos a Generali AM tem uma perspetiva neutra face ao
“cenário geral e os riscos” que a economia enfrenta.

“Para ver as taxas de juro dos Estados Unidos a caminhar para 4%, ou para valores mais baixos, precisamos de mais provas de que a economia ou o mercado de trabalho dos Estados Unidos estão claramente a enfraquecer”, defende o head of fixed Income da Generali AM.

Mauro Valle aborda ainda os dados económicos norte-americanos divulgados na última semana.

“Na última semana, as taxas de juro dos Estados Unidos caíram 20 pontos base após o relatório do mercado de trabalho, atingindo novamente os 4,2%. As taxas reais desceram 15 pontos base, atingindo os 1,85%, enquanto as BE rates (benchmark rates) recuaram apenas cinco pontos base, atingindo os 2,35%. O FOMC [comité composto pelos membros da Fed] reconheceu os sinais visíveis de abrandamento do crescimento, mas continua focado nos riscos ascendentes para a inflação devido às tarifas. O presidente da Fed, Jerome Powell, enfatizou que uma postura “modestamente restritiva” continua a ser apropriada”, sublinhou Mauro Valle.

Mauro Valle diz ainda que os dados do mercado de trabalho norte-americanos, “mais fracos” do que o esperado, “provocaram uma forte recuperação” nos mercados de juros, “impulsionada por uma queda acentuada” na ponta final da curva.

“Em julho, a folha de pagamentos não agrícola aumentou 73 mil, abaixo das expetativas. As revisões de junho e maio reduziram o crescimento da folha de pagamentos num total de 258 mil, repartidos entre os setores público e privado. A taxa de desemprego aumentou para os 4,3%. Durante a semana, a confiança dos consumidores melhorou para 97,2 (de 93,0 no mês anterior), o crescimento anualizado do PIB do segundo trimestre foi de 3%, o índice de preços PCE (PCE) aumentou para 2,8% e o índice ISM (Open Market Statistics Institute) da indústria transformadora desceu para 48,0, face à expectativa de 49,5”, salienta o head of fixed Income da Generali AM.

BCE deve manter taxas de juro

Sobre a Europa Mauro Valle salienta que o mercado está a “precificar uma probabilidade de corte [nas taxas de juro]” de apenas 30% nas próximas duas reuniões do Banco Comercial Europeu (BCE).

“Isto confirma as nossas expectativas de que um bom crescimento económico e uma inflação dentro da meta não suportam um novo corte. Para as próximas semanas, manteremos a nossa postura positiva, uma vez que os rendimentos das obrigações alemãs na ordem dos 2,7% estão a precificar o cenário económico positivo para a segunda metade do ano, com uma inflação consolidada em 2%. Continuamos a considerar níveis próximos dos 2,5% como neutros”, salienta Mauro Valle.

Mauro Valle sublinha que o spread italiano está a chegar aos 80 pontos base. Perante isto o head of fixed Income da Generali AM considera que “não há agora elementos para reduzir a exposição”.

Na visão de Mauro Valle nas próximas semanas, os principais riscos para os spreads dos mercados periféricos serão o “ressurgimento da volatilidade do mercado e a retoma da atividade de emissões a partir de setembro”.

Ainda na Europa, Mauro Valle assinala que as taxas das obrigações alemãs oscilaram num intervalo, em torno do nível de 2,7%, com as taxas do BCE a situarem-se nos 1,75%. “O PIB europeu para o segundo trimestre saiu melhor do que o esperado, em +0,1%, apesar do crescimento negativo em Itália e na Alemanha. A inflação subjacente confirmou-se estável em julho, nos 2,3%, enquanto a inflação geral subiu para 2,0% (+0,1%). A confiança dos investidores Sentix para agosto desiludiu, com -3,7 contra +6,9 esperados”, acrescentou o head of fixed Income da Generali AM.

Sobre a estratégia para os portfolios a Generali AM refere que os portfólios “estão sempre a sobre-expor as durações relativas e não alteraram a exposição dos países”. Neste cenário a Alemanha surge com uma nota neutra, Itália tem uma nota de compra face a França, e os títulos da União Europeia, Espanha e as obrigações gregas surgem com sobre-exposição. Sobre as curvas de yields a Generali AM diz que os portefólios “estão expostos principalmente a maturidades de 5 a 10 anos e sub expostos a maturidades entre 15 e 30 anos”.


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