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Geração Z entre o ordenado mínimo e os sonhos máximos

A geração Z chegou à vida adulta num dos piores momentos possíveis para sonhar alto. Entre salários curtos, rendas elevadas e planos adiados, quase metade vive numa ginástica financeira constante. Ainda assim, consome menos, pensa mais no próximo e não abdica dos seus valores.
@Vecteezy
30 Janeiro 2026, 15h53

Se houvesse um desporto olímpico para gerir expetativas, a geração Z estaria certamente no pódio. Segundo um novo estudo da Horowitz Research, quase metade (49%) dos jovens adultos da geração Z, entre os 18 e os 28 anos, vive hoje numa corda bamba financeira: ou a contar os cêntimos até ao fim do mês ou a lutar para pagar o essencial. Não é exatamente o retrato glamoroso da “geração do futuro”.

O relatório, intitulado State of Media, Entertainment and Tech: FOCUS Generation Next 2025, confirma aquilo que muitos jovens já suspeitavam sem necessidade de gráficos: a economia não está propriamente a colaborar com os planos de vida. Apenas 10% dizem estar a “prosperar financeiramente”, o que faz deste grupo uma geração sufocada. Com a luz bem ao fundo do túnel.

Perante a pressão, a geração Z não cruza os braços. Quase metade prefere ficar em casa em vez de sair (43%), controla com rigor as despesas do dia-a-dia (42%) e cerca de 39% trabalha mais horas ou soma pequenos trabalhos ao currículo. O tempo livre é curto, mas a necessidade é grande.

Curiosamente, esta é também uma geração que, apesar de viver no imediato, mantém um olho no futuro: segue o mercado bolsista, espreita planos de reforma e usa ferramentas financeiras com mais frequência do que as gerações anteriores na mesma idade.

E mesmo com menos margem financeira, há mais solidariedade: 42% dizem ter feito voluntariado para ajudar pessoas em necessidade — um número em crescimento face ao ano anterior. Nem tudo se mede em euros.

Planos adiados ou guardados na gaveta?

O impacto da economia sente-se também nas grandes decisões. Oito em cada dez jovens da geração Z adiaram pelo menos um plano importante. Comprar casa ou investir em imobiliário surge no topo da lista (40%), seguido de viagens (31%), trocar de carro (21%) e até ter filhos (9%). A ideia de mudar de emprego também fica em ponto morto para 22% dos inquiridos, afinal a estabilidade, mesmo precária, vale ouro.

É uma geração que entra na vida adulta num momento particularmente ingrato: salários pressionados, rendas elevadas e um futuro que parece sempre mais caro do que o orçamento permite.

Consumir com a carteira… e com a consciência

Para as marcas, o cenário pode parecer pouco animador, mas há nuances. Mais de um quarto dos jovens (27%) afirma ter apoiado activamente empresas cujas políticas alinham com os seus valores. Sustentabilidade ambiental, comércio justo e políticas internas de diversidade e inclusão pesam e muito nas decisões de consumo. Não se trata apenas de preço. Trata-se de propósito.

Como resume Adriana Waterston, vice-presidente executiva da Horowitz Research em comunicado, esta fase da vida é particularmente vulnerável: “O contexto económico atual pode atrasar de forma significativa o percurso da geração Z rumo à estabilidade profissional, à casa própria e ao sucesso financeiro”. E, perante escolhas difíceis, estes jovens preferem gastar pouco mas gastar bem, também em termos éticos.

A geração Z pode não estar a viver o sonho prometido, mas está longe de viver em negação. Ajusta hábitos, adia planos, questiona marcas e, quando pode, ajuda quem está pior. Talvez não compre casa tão cedo, mas compra consciência crítica com facilidade.

Num mundo onde tudo parece caro, esta geração vai navegando como pode: com pragmatismo, alguma ansiedade e uma boa dose de ironia. Afinal, rir ainda é grátis. Por enquanto.

 


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