A Blackstone reportou saídas de capital líquidas de 1,7 mil milhões de dólares (1,4 mil milhões de euros) no seu fundo BCRED (dedicado ao crédito), que tem um valor de 82 mil milhões de dólares (70,5 mil milhões de euros), no primeiro trimestre. Esta saída de dinheiro levou a maior gestora global de fundos a aumentar de 5% para 7% o seu limite de resgates.
Foi um sinal de preocupação e não foi o primeiro. Antes, a Blue Own Capital anunciou em fevereiro que iria vender 1,4 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros) em ativos de três fundos ligados ao crédito com o objetivo de devolver capital aos investidores e reduzir a dívida. Com a acumulação de sinais negativos, as gestoras de fundos têm acumulado perdas em bolsa. Desde o início do ano, a Blackstone caiu 30%, e a Blue Own 32%. Mais: a KKR perde 29%, o Apollo 26% e o Carlyle Group 15%.
Na base do movimento de saída de investidores estarão “writedowns (redução do valor de um ativo) e write-offs (reconhecimento de uma perda) significativos” de empréstimos realizados por estes fundos, considera Pedro Capitão Barbosa, advogado da equipa de mercado de capitais da Morais Leitão. Acresce algum sentimento de incerteza” relativamente às perspetivas de médio prazo das empresas de software as a service, aos quais este mercado se encontra particularmente exposto, devido aos avanços na inteligência artificial. “Em qualquer caso, não é esperado que os eventos recentes tenham consequências do foro sistémico”, salienta.
João Sousa Leal, head of advisory da KPMG acrescenta que os investidores em estruturas de menor liquidez — como os veículos de private credit e private equity que têm sido comercializados a uma base mais alargada de investidores individuais nos últimos anos — “tendem a exercer direitos de resgate quando a incerteza aumenta, independentemente da qualidade subjacente dos ativos”.
Também o presidente da Associação de Investidores e Analistas Técnicos do Mercado de Capitais (ATM), Nuno Oliveira Matos, adianta, que para já, não vê “razões para alarme sistémico”. “Trata-se, no essencial, de um ajustamento cíclico após um período prolongado de expansão, mais do que de um sinal inequívoco de fragilidade estrutural”, explica.
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