GoParity espera investir este ano dois milhões de euros em projetos da economia do mar

Os responsáveis da GoParity relembram que Portugal tem a terceira maior Zona Económica Exclusiva (ZEE) da União Europeia e a 11ª maior do mundo.

Até ao final do ano, a GoParity conta atingir os dois milhões de euros investidos em projetos da economia do mar, um sector em crescimento e, até 2025, chegar aos cinquenta milhões de euros para a exploração sustentável dos recursos no mar.

“A GoParity já angariou 1,3 milhões de euros, com recurso à sua comunidade de investidores, para quatro projetos da economia azul sustentável: Oceano Fresco, NaturFish-Alvor, Aqualgae e Oysterworld. No total dos projetos, estiveram envolvidos 1.655 investidores e cinco empresas portuguesas, com um investimento médio de 350 euros. Participaram investidores de 36 nacionalidades”, esclarece um comunicado desta plataforma.

Este investimento tem vindo a ser feito em ‘blue growth’, a vertente sustentável do sector da economia do mar, que representa 5,1% do PIB – Produto Interno Bruto em Portugal, através da GoParity, a plataforma portuguesa que junta projetos de sustentabilidade à procura de financiamento a pessoas que queiram investir com propósito social e ambiental.

Os responsáveis da GoParity relembram que Portugal tem a 3ª maior Zona Económica Exclusiva (ZEE) da União Europeia e a 11ª maior do mundo. “Ao mesmo tempo, o território marítimo português é quase 20 vezes o território terrestre, o que se traduz num forte potencial de exploração, mas também no desafio de conservação e gestão dos recursos naturais existentes. Em 2018, a economia do mar representou 5,1% do PIB e 5% das exportações nacionais, estando em evolução ascendente. Na Europa, segundo a Comissão Europeia, a economia do mar emprega 5,4 milhões de pessoas e gera quase 500 mil milhões de euros por ano”, destaca um comunicado da plataforma.

A GoParity adverta que, “mais do que explorar o potencial marítimo, importa fazê-lo eficientemente e de forma sustentável”, acrescentando que, “por esse motivo, o ‘crescimento azul’ (ou ‘blue growth’) é a estratégia de longo prazo da Comissão Europeia “para apoiar o crescimento sustentável nos setores marinho e marítimo e é uma das apostas da primeira fintech portuguesa para investimentos sustentáveis”.

“Sob esta premissa, na sua missão de promover a sustentabilidade e dar a projetos de sustentabilidade acesso a financiamento, desde 2019, a GoParity financiou quatro projetos de economia azul, recorrendo à sua comunidade de mais de 10.500 investidores. No total dos projetos, estiveram envolvidos 1.655 investidores e cinco empresas portuguesas, com um investimento médio de 350 euros. Participaram investidores de 36 nacionalidades, de proveniência portuguesa, espanhola, italiana, alemã, francesa, sueca, holandesa, belga, brasileira, na sua maioria, e compreendem uma idade média de 40 anos”.

Nuno Brito Jorge, CEO da GoParity diz que, “como portugueses, desde pequenos que ouvimos falar no potencial do mar e na sorte que temos por termos uma das maiores Zonas Económicas Exclusivas do Mundo”.

“Durante muito tempo, parecia um potencial e promessa eternos, que nunca se converteriam em realidade. Agora está finalmente a acontecer, com muita ciência, tecnologia e investimento. Estamos muito orgulhosos por permitirmos a pessoas e empresas de qualquer área serem também parte deste caminho e investimento”, assinala este responsável.

A GoParity é parceira de financiamento da BlueBio Alliance (BBA), uma rede nacional que inclui todos os subsectores da cadeia de valor dos biorecursos marinhos em Portugal.

Vitor Vasconcelos, diretor executivo desta rede, esclarece que “um dos nossos objetivos enquanto associação que representa o sector da bioeconomia azul em Portugal, é promover o empreendedorismo sustentável, levando a mais emprego e criação de valor”.

“É com muito gosto que colaboramos com a GoParity, não só na identificação de empresas do sector que tenham um modelo de negócio sustentável, mas também na divulgação das suas campanhas de financiamento”, sublinha este responsável.

A BBA pretende organizar coletivamente esta cadeia de valor, potenciar as suas relações e dinâmicas, o crescimento das PME e acelerar a sua internacionalização através do aumento do alcance e das exportações, gerando mais empregos e criação de valor em Portugal.

Quatro projetos financiados em Portugal
Os projetos da economia azul sustentáveis investidos pela comunidade da GoParity são a Oceano Fresco, NaturFish-Alvor, Aqualgae e Oysterworld

A Oceano Fresco, financiada pela GoParity em quase 750 mil euros, como parte de um projeto total de 3,1 milhões de euros, desenvolve, produz e comercializa bivalves, “respeitando a sustentabilidade ambiental e a segurança do consumidor final”.

“A empresa construiu um Centro Biomarinho de última geração, na Nazaré, que produz sementes de amêijoas para serem cultivadas no viveiro, em Alvor, o primeiro em mar aberto no mundo, o que permite à empresa ter o controlo total do ciclo de produção. Os ecossistemas formados nos viveiros ajudam a regular o clima, vão ter um papel central no alívio da procura de recursos terrestres, como a proteína, e no combate às alterações climáticas, uma vez que as amêijoas têm uma função filtrante e capturam o CO2 [dióxido de carbono]. Cultivar sustentavelmente os mares, em vez de apenas os pescar, irá restabelecer a biodiversidade e os ‘stocks’ marinhos”, adianta a GoParity.

Segundo o seu CEO, Bernardo Carvalho, “financiar uma startup de aquicultura é desafiador: as empresas de capital de risco pré-lucrativas são escassas, os bancos financiam apenas ativos de baixo risco e não estão familiarizados com a aquicultura; e amigos e fontes de família são limitados”, salientando que, W”desta forma, o ‘crowdlending’ com a GoParity aparece como uma nova alternativa de fonte de financiamento”.

“Também em Alvor está a NaturaFish-Alvor, uma produção sustentável de robalo e dourada que pretende diminuir a dependência de Portugal face ao exterior. Com uma área de cerca de 19 hectares e integrada na Rede Natura 2000, a NaturaFish é uma alternativa sustentável à pesca intensiva, procurando garantir o bem-estar animal e o mínimo impacto ambiental. O peixe encontra-se no seu ‘habitat’ natural e a sua alimentação é feita através dos nutrientes fornecidos pela troca de marés e complementar com ração suplementar. De forma a minimizar a libertação de resíduos e evitar a diminuição direta do ‘stock’ de pescado selvagem no mar, é utilizada ração com uma maior percentagem de subprodutos da indústria pesqueira. Na GoParity, este projeto arrecadou 227.500 mil euros”, explica a plataforma.

“A sustentabilidade é um dos dos grandes pilares da nossa produção, verificando-se um grande esforço de inovação e desenvolvimento para que tenhamos um impacto cada vez mais positivo no meio ambiente e bem-estar animal.”, salienta Miguel Theriaga, CEO da NaturaFish-Alvor.

Por seu turno, “a Aqualgae, uma empresa de engenharia e biotecnologia de microalgas com sede na Coruña (Espanha) e com um centro de fabricação dos seus equipamentos na sua sucursal em Portugal, em Viana do Castelo, angariou 60 mil euros com recurso à comunidade de investidores da Goparity”.

“A empresa tem como missão inovar e melhorar a eficiência da indústria aquícola, nomeadamente dos sistemas de produção de microalgas, na implementação de soluções de automação, aumento de competitividade e produtividade, maior eficiência energética e consequente melhoria da sustentabilidade ambiental”, revela a GoParity.

Pedro Seixas, administrador da Aqualgae, refere que “o investimento em aquacultura tem claramente aumentado nos últimos anos, depois de vários anos de estagnação” e sublinha que, “cada vez mais, há uma preocupação por parte dos produtores em implementar boas práticas de sustentabilidade, apostar na excelência e qualidade do produto, em melhorar a imagem e dar garantias de satisfação ao cliente.”

Já a Oysterworld, dedica-se à produção sustentável de ostras em Setúbal. “A produção ostreícola tem impacto positivo pelo caráter purificador da água das ostras, que contribuem para a captação de carbono e nitrogénio da atmosfera e reduzem a acidificação dos oceanos e ao reduzirem a pressão que a pesca extrativa exerce sobre os recursos naturais (não utiliza antibióticos ou outros fármacos nem rações). Na GoParity obteve financiamento de um montante global de 392,5 mil euros”, avança a plataforma.

Para além da Economia Azul, a GoParity já ajudou a financiar projetos do turismo, moda, agricultura, educação, energias renováveis, saúde e indústria, num total de mais de quatro milhões e meio de euros.

“Nesta plataforma, qualquer um pode investir a partir de cinco euros e obter retorno financeiro, ao mesmo tempo que contribui para a sustentabilidade do planeta”, asseguram os responsáveis desta plataforma, que tem como objetivo criar um Banco Verde.

 

Ler mais
Recomendadas

Só 2% a 3% do planeta permanece ecologicamente intacto, indica estudo

Os autores do estudo lembram que há mais de 30 anos que as áreas naturais, que não foram consideravelmente modificadas pelo homem, foram identificadas como prioritárias nas ações de conservação e proteção, algo que é reconhecido pela Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica.

CAP vê no ‘Green Deal’ um “documento de marketing da Comissão Europeia”

A última conferência do ciclo para a concretização de uma visão estratégica para o agroalimentar em Portugal realiza-se esta quarta-feira, com a participação de Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Hector Lujan, presidente e CEO da Reiter Affiliated Companies e Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde, entre outros.

‘Green Deal’. CEO da Jerónimo Martins Agro-alimentar defende que produção animal exige “maior disciplina”

Na última conferência do ciclo para a concretização de uma visão estratégica para o agroalimentar em Portugal, promovida pela Lusomorango, à qual o Jornal Económico é media partner, António Serrano argumentou que, “à partida, a pressão vai estar na produção animal, em particular na produção de carne e de leite”. Isto por serem “áreas mais expostas”.
Comentários