Governo anuncia que projeto de hidrogénio verde em Sines foi aprovado em Bruxelas

O ministro do Ambiente anunciou hoje no Parlamento que o projeto já teve ‘luz verde’ em Bruxelas.

O Governo anunciou hoje que o projeto de hidrogénio verde projetado para Sines, distrito de Setúbal, já foi aprovado em Bruxelas.

“O projeto H2 de Sines é um dos únicos três projetos que a União Europeia já aprovou pelo seu mérito”, disse o ministro do Ambiente esta quarta-feira, 16 de junho, no Parlamento.

João Pedro Matos Fernandes não deu mais detalhes sobre a aprovação deste projeto. O Jornal Económico pediu esclarecimentos ao ministério do Ambiente e à Comissão Europeia.

O ministro respondia ao deputado do PSD, Luís Leite Ramos, que criticou as “guerras intestinais no mega projeto de hidrogénio” para se referir às saídas da Galp e da EDP deste projeto. O consórcio passou a ser constituído pelos franceses da Engie, os dinamarqueses da Vestas e os portugueses da Martifer e da REN.

Em resposta, Matos Fernandes rejeitou que haja “confusão”, “muito menos no projeto de Sines”.

“Os consórcios são de quem os constitui. As empresas juntam-se como se podem juntar”, afirmou.

A Galp anunciou a 2 de junho a sua saída do projeto H2 Sines cujo objetivo era produzir hidrogénio verde para exportá-lo para a Holanda.

“Vamos sair do H2 Sines, o consórcio que planeava exportar hidrogénio líquido para a Holanda”, revelou o presidente da Galp. “Saímos porque queremos avançar mais depressa” do que o consórcio, explicou Andy Brown.

Outra das razões apresentadas foi porque a Galp considera que o “maior cliente para o hidrogénio verde não está na Holanda, mas sim em Sines”, com a substituição pela Galp do uso de hidrogénio cinzento (produzido à base de energias fósseis) pelo hidrogénio verde na sua refinaria.

O responsável destacou que existem fundos europeus disponíveis para financiar projetos de hidrogénio verde, mas que ainda é cedo para saber qual o montante que pode ser alcançado. Andy Brown destacou as energias renováveis baratas em Portugal como sendo importantes para estes projetos.

A Galp juntou-se assim à EDP que também já anunciou a sua saída do projeto, conforme revelou o jornal “Público”, que noticiou que a EDP está a “avaliar projetos inovadores e com potencial de crescimento nesta área nas várias geografias em que opera, mantendo atualmente cerca de 20 projetos sob análise” no sector do hidrogénio verde, segundo fonte oficial da elétrica liderada por Miguel Stilwell de Andrade.

Apesar de desistir do projeto, a Galp quer apostar no hidrogénio verde na sua refinaria de Sines, distrito de Setúbal, até 2025. A companhia revelou hoje que vai desenvolver um eletrolisador nos próximos anos com uma capacidade inicial de 100 megawatts (MW).

Por sua vez, a REN já disse que a sua participação no consórcio é de âmbito restrito, devido às limitações regulatórias. “A REN não vai estar envolvida na geração e comercialização de energia ou hidrogénio, nem na sua produção industrial”, disse fonte oficial da REN ao Dinheiro Vivo a 20 de maio.

A REN vai investir 40 milhões de euros no hidrogénio verde até 2024, no âmbito do seu novo plano estratégico.

“Vamos fazer um investimento de 40 milhões de euros no hidrogénio verde, dos quais 15 milhões de euros estão associados a projetos na rede de gasodutos, e 25 milhões na concessão de rede de armazenagem”, disse a 14 de maio, o administrador da REN, João Conceição.

O objetivo da empresa é injetar até 5% de hidrogénio verde no gás natural em Portugal até 2025. Para isto vai ser preciso, “tornar totalmente compatíveis as redes de gasodutos”.

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