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Governo aprova novo regime de mecenato cultural e aloca 350 milhões de euros para cinema e audiovisual

“O limite de dedução em sede de IRC sobe de 0,8% para 1% do volume de negócios e a majoração do donativo como gasto fiscal passa de 130% para 140%”, esclarece o executivo.
UMUKO, Direction artistique Dorothee Munyaneza, Musique Impakanizi, Jean Patient Nkubana et Michael Makembe, Lumiere Camille Duchemin, Costumes Stephanie Coudert, Coiffe Muhawenimana Maximilien et Mizero Cedric, Chaillot Théâtre National de la Danse le 14 mai 2024. Avec : Yvette Niyomufasha, Jean Patient Nkubana, Impakanizi, Abdoul Mujyambere et Michael Makembe  (photo by Patrick Berger)
17 Dezembro 2025, 14h35

O Governo aprovou esta quarta-feira, em Conselho de Ministros, um novo regime de mecenato cultural que prevê o aumento dos incentivos fiscais para as empresas que apoiam projetos culturais, salienta o executivo na sua página oficial.

“O limite de dedução em sede de IRC sobe de 0,8% para 1% do volume de negócios e a majoração do donativo como gasto fiscal passa de 130% para 140%. A plataforma digital única agiliza os processos, enquanto o estatuto de entidade cultural passa a vigorar por cinco anos. Foram também criados títulos de iniciativa cultural, garantindo critérios objetivos e igualdade de acesso”, esclarece o executivo.

Executivo aloca 350 milhões para cinema e audiovisual

O Governo vai avançar também com um novo modelo de financiamento, para o período entre 2026-2029, no valor de 350 milhões de euros, dirigidos ao cinema e audiovisual, intitulado SCRI.PT. “O aumento da dotação anual de incentivos vai de 34 para 50 milhões de euros e é criada uma linha de garantia mútua de 150 milhões para apoio à produção […] O apoio a grandes produções sobe para 35 milhões de euros por ano, e as restantes produções passam a dispor de 15 milhões anuais. A gestão do programa será assegurada pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual, em articulação com os Ministérios da Cultura, da Presidência e da Economia”, diz o executivo na sua página oficial.

Trata-se de um reforço de 100 milhões de euros, face ao anunciado em abril, salientou o executivo. O SCRI.PT já tinha sido colocado em consulta pública em abril, com uma dotação orçamental inicial de 250 milhões de euros e uma reformulação do sistema de incentivos ao setor.

Da verba total 150 milhões serão canalizados para a criação de uma linha de garantia mútua de apoio ao crédito, através do Banco Português de Fomento. Os restantes 200 milhões de euros serão para aplicar nos incentivos à produção de cinema e audiovisual ‘cash rebate’ e ‘cash refund’ – de atração de produções estrangeiras para o país.

Aos jornalistas, o ministro da Presidência, Leitão Amaro disse que o SCRI.PT “terá também como valência o apoio ao impulso à comunicação social, na sua vertente de difusão de produção nacional”.

Leitão Amaro, referindo-se a estas medidas, que englobam o setor da cultura, considerou que se trata de “um dia feliz, importante, de celebração da cultura, e do apoio a estas áreas do audiovisual, do cinema, e da comunicação social”, disse o ministro da Presidência, Leitão Amaro.

A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, citada no sítio oficial do Governo da República, considerou que estas medidas dirigidas à área da cultura “reforçam claramente a importância e o alcance da Cultura na vida do país e de todos os portugueses”.

O executivo anunciou também que vai criar o bilhete gratuito para acompanhante de pessoas com deficiência em espaços culturais públicos em complemento com o Selo de Espaços Culturais Acessíveis e Inclusivos (SECAI). “Será integrada de forma gradual nos sistemas de bilhética, garantindo transparência e proteção de dados”, salienta o Governo.

Criado centro para receber coleção de Arte Contemporânea do Estado

A isto junta-se a criação do CACE Centro, em Alcabideche, que vai servir para acolher a Coleção de Arte Contemporânea do Estado, no primeiro semestre de 2026. “O espaço concentrará cerca de três mil obras num único local, assegurando uma poupança anual de 660 mil euros e oferecendo programação expositiva e serviço educativo”, explica o executivo.

“Os serviços educativos na Rede Portuguesa de Museus também serão reforçados com uma dotação de um milhão de euros, incluindo majorações para projetos no interior do país, promovendo a coesão territorial e a democratização do acesso à Cultura”, disse o executivo.
Atualizado às 14h43

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