Governo britânico e City escolhem português Rodrigo Tavares para classificar fundos ‘verdes’

A iniciativa liderada por Rodrigo Tavares pressupõe que seja criado um sistema global de classificação de fundos ESG, aplicado a todo o tipo de fundos (equities, fixed income, private equity, venture capital, hedge funds, entre outros).

No dia 22 de janeiro o governo do Reino Unido, a City de Londres e a British Standards Institution (BSI) deram início a uma nova iniciativa para classificar fundos ESG – Environmental, Social, and Governance (ESG) e escolheram Rodrigo Tavares, professor na Nova School of Business and Economics (Nova SBE) para liderar o processo.

A iniciativa liderada por Rodrigo Tavares pressupõe que seja criado um sistema global de classificação de fundos ESG, aplicado a todo o tipo de fundos (equities, fixed income, private equity, venture capital, hedge funds, entre outros).

O objetivo final é que este novo sistema de classificação seja posteriormente adotado por todos os países membros da International Organization for Standardization (ISO), no total de 165 países (incluindo Portugal) e se torne o padrão global dos mercados.

O processo, que decorrerá até março de 2022, inclui uma consulta pública ao mercado e contará com o apoio de um grupo de trabalho com representantes de instituições financeiras globais, associações do mercado de capitais e representantes do governo britânico.

Os investimentos ESG “correspondem a um novo paradigma do mercado de capitais através do qual dados e políticas ESG são integrados aos investimentos, com o intuito de melhorar a gestão de riscos e a performance financeira”, refere um comunicado da Nova SBE.

O que começou por ser um nicho, corresponde atualmente a cerca de metade do volume de ativos sob gestão no mercado financeiro, ou cerca de 45 mil milhões de dólares.

“O crescimento repentino das finanças sustentáveis tem suscitado alguma preocupação nos operadores do mercado. Estudos indicam que o principal obstáculo ao crescimento continuado desse mercado é a falta de padronização de produtos financeiros ESG”, explica a Nova SBE.

“A escassez de regulamentação e de critérios precisos leva a que gestoras de ativos possam usar o termo ESG de forma arbitrária e pouco rigorosa, ferindo as expetativas dos investidores”, adianta a universidade.

A iniciativa corresponde à terceira fase do Sustainable Finance Standardization Programme, com duração de 5 anos e apoiado pelo governo britânico.

O programa tem como objetivo o “desenvolvimento de padrões globais, relevantes e consensuais sobre o tema finanças sustentáveis”, refere a Nova SBE.

“Nas duas fases anteriores, foram estabelecidos princípios e práticas ESG a serem seguidas pelo mercado de capitais. Cada uma destas fases é liderada por um reconhecido especialista oriundo do mercado financeiro, selecionado através de um processo competitivo global”, lê-se no comunicado.

O Reino Unido, país reconhecido pela sua liderança no mercado ESG, sediará em novembro deste ano a 26ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26).

Rodrigo Tavares, tem uma trajetória académica que inclui as universidades de Harvard, Columbia, Gotemburgo e Califórnia-Berkeley, e é professor de Sustainable Finance na Nova SBE desde 2020. Em 2017 foi nomeado Young Global Leader pelo World Economic Forum de Davos.

Ler mais

Recomendadas
catarina_martins_oe_2020

Covid-19: Catarina Martins faz um apelo a Costa para que estenda já as moratórias

“Deixo aqui hoje este apelo a António Costa: não espere que seja tarde demais, não espere pelo início dos despejos e das falências. As moratórias têm de ser estendidas já”, num comício maioritariamente virtual que assinalou o encerramento da conferência autárquica online e os 22 anos do BE, que comemora no domingo a sua fundação.

TAP. Ratificação dos acordos com pilotos e tripulantes era “passo crucial”, diz o Governo

“Porque estes acordos representam um compromisso muito firme de todos com o futuro da companhia, dão ainda mais credibilidade ao plano de reestruturação que o Estado português continuará a negociar com a Comissão Europeia ao longo das próximas semanas”, sublinhou o Ministério das Infraestruras e da Habitação.

Serviços postais caem 12,4% mas tráfego de encomendas dispara 20% em 2020

Tráfego total dos serviços postais caiu 12,4% em 2020, uma quebra que “está associada aos efeitos da pandemia da Covid-19” e que foi “mais expressiva” do que o recuo verificado em 2019 (-6,7%). A pandemia terá tido “um impacto direto, negativo, de 9,8% no tráfego postal total”.
Comentários