Governo: Cooperação Portugal-China é crucial para contornar “barreiras” no comércio internacional

O secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, entende que é necessário dar um “novo impulso” aos acordos assinados entre Portugal e a China e reconhece o empenho das autoridades chinesas nesse esforço.

Eurico Brilhante Dias | Cristina Bernardo

O Governo defendeu esta segunda-feira que o reforço da cooperação entre Portugal e China é crucial para contornar “barreiras” que têm vindo a ser levantadas no comércio internacional. O secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, entende que é necessário dar um “novo impulso” aos acordos assinados entre os dois países e reconhece o empenho das autoridades chinesas nesse esforço.

“A cooperação bilateral [entre Portugal e China] é decisiva para continuarmos a desenvolver a economia dos dois países, bem como ações bilaterais e trilaterais que estão no quadro deste relacionamento; um quadro que é cada vez mais pluriregional e à escala global e que é necessário para, em larga medida, contornarmos barreiras que ultimamente se têm levantado no quadro do comércio internacional”, afirmou Eurico Brilhante Dias, no seminário de comunicação e cooperação financeira internacional da iniciativa “Faixa e Rota”, promovido pelo Bank of China.

O secretário de Estado considera que Portugal e China partilham uma agenda comum, que visa a promoção de “um comércio internacional aberto e justo”, que promova, ao mesmo tempo, “o desenvolvimento económico e social dos países em que vivemos e das comunidades a que pertencemos”.

Como exemplo dessa cooperação, o governante recordou que, nos últimos anos, Portugal aderiu à iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, e foram dados outros passos, como o relançamento das ligações aéreas entre Portugal e China, o aumento da exportação de carne de porco para a China e a emissão de dívida portuguesa, cunhada em renminbi, que, segundo o governante, teve um “inegável sucesso”.

Eurico Brilhante Dias disse que é necessário continuar a trabalhar para que “se mantenha saudável o comércio entre Portugal e China”, mas destacou, no entanto, que há desafios que devem ser tidos em conta.

“Temos outros desafios, não só no setor agrolimentar. Temos de suprir progressivamente aquilo que é um défice na balança de bens entre os dois países. O esforço conjunto que estamos a fazer, e em particular com o contributo da Agência de Investimento e Comércio Externo de Portugal, procura abrir novos canais e protocolos firmados com operadores de comércio eletrónico como a Alibaba”, afirmou o secretário de Estado.

Portugal assinou, no final do ano passado, 17 acordos com o Governo chinês para reforçar a parceria estratégica entre os dois países, no quadro da iniciativa chinesa “Uma Faixa, Uma Rota”. Os acordos inserem-se na vertente económica relativa à chamada “Rota da Seda Marítima do século XXI”, projeto que prevê ligações de portos, ferrovias, estradas e aeroportos para impulsionar os acordos comerciais da China com a Ásia, Europa, Médio Oriente e África.

Na assinatura desses acordos, ficaram estabelecidas as modalidades de cooperação bilateral, abrangendo uma ampla gama de setores, com destaque para a conectividade e para a mobilidade elétrica.

Entre esses acordos está o memorando de entendimento entre a EDP e a China Three Gorges (CTG) para a cooperação ao nível da responsabilidade social das empresas, designadamente no domínio da cultura, desenvolvimento sustentável, inovação e pesquisa e desenvolvimento (R&D) e a intenção por parte da MEO e a Huawei de desenvolver a tecnologia 5G em conjunto.

Ler mais

Recomendadas

Tribunal de Contas acusa ministério de Centeno de falta de liderança na reforma das Finanças Públicas

O Tribunal de Contas alerta que quatro projetos que deveriam ter sido concluídos no primeiro semestre de 2019 não foram ainda iniciados no âmbito da implementação da Lei de Enquadramento Orçamental. Recomenda mais meios, assim como estabelecer melhor hierarquia nas prioridades dos projetos.

Confederações patronais querem alargar a mais PME taxa reduzida de IRC

Atualmente beneficiam desta taxa reduzida de IRC as empresas com matéria coletável até 15 mil euros e as duas confederações vão propor que esse limite suba para os 50 mil euros já no Orçamento do Estado para 2020 (OE2020).

COP25: CEDEAO quer mobilizar 80 milhões para agricultura climaticamente sustentável

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) quer mobilizar, na COP25, em Madrid, 80 milhões de dólares em fundos para o seu mecanismo de financiamento a projetos de agricultura climaticamente sustentáveis.
Comentários