Governo de Trump diz que compete aos “decisores políticos em Portugal” avaliar se investimento chinês na REN é “uma ameaça” para a segurança das infraestruturas

O maior acionista da REN é a estatal chinesa State Grid com 25% do capital.

Dan Brouillette, secretário da Energia dos EUA, na visita à central de Sines | Cristina Bernardo

O Governo norte-americano disse hoje que compete aos decisores políticos em Portugal avaliar se o investimento chinês na Redes Energéticas Nacionais (REN) é uma “ameaça” para as infraestruturas energéticas nacionais.

Num encontro com jornalistas em Lisboa, durante a sua visita a Portugal, o Secretário da Energia norte-americano foi questionado se considerava que o facto da REN ter um acionista maioritário chinês era um risco para a segurança das infraestruturas energéticas nacionais, e se, neste cenário, as empresas norte-americanas deviam investir na REN. Em resposta, Dan Brouillette defendeu um maior escrutínio sobre o investimento chinês na REN pelas autoridades portuguesas.

“Vou deixar isso para os decisores políticos em Portugal, se isso representa ou não uma ameaça para a infraestrutura em Portugal”, disse Dan Brouillette esta quinta-feira.

“Vou limitar os meus comentários às ameaças potenciais para as infraestruturas vitais dos Estados Unidos, ao ponto de, se representarem ameaças, vamos tratar delas muito diretamente”, afirmou.

O maior acionista da REN é a estatal chinesa State Grid com 25% do capital. Segue-se a Oman Oil, de Omã, com 12%, a Lazard Asset Management (7%), a portuguesa Fidelidade (5,3%), os espanhóis da Red Elétrica (5%), e os norte-americanos do Capital Group (3,7%).

A REN detém o terminal de gás natural liquefeito (GNL) de Sines, que o governante norte-americano visitou na quarta-feira. A companhia também detém as concessões das redes de transporte de eletricidade e de gás natural, assim como investimentos no Chile, América do Sul.

Já em relação à EDP, Dan Brouillette defendeu que as empresas norte-americanas devem investir na companhia, e que a presença chinesa na empresa pode vir a ser um “problema” para a EDP Renováveis nos Estados Unidos.

Na sua resposta, o norte-americano também apontou os riscos que a China representa para a rede de eletricidade norte-americana.

“Em relação ao investimento chinês na EDP, representa alguns desafios para nós nos Estados Unidos, porque a abordagem dos chineses, vou usar uma palavra dura, é literalmente roubar propriedade intelectual. Sabemos isso como nação, outras nações sabem isso, e nas minhas conversas aqui em Portugal é um facto largamente reconhecido, os chineses têm sido muito agressivos no roubo de propriedade intelectual, ao ponto de isto representar um risco para a rede de eletricidade norte-americana, ou um risco para a nossa defesa nacional. Vamos tratar destes assuntos de forma muito agressiva e muito dura”, declarou o Secretário da Energia norte-americano.

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