Governo diz que quota de mercado e investimento contrariam “estagnação” de Portugal nos ‘rankings’ de competitividade

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Energética, Pedro Siza Vieira, considera que existe um “aparente paradoxo” em relação à avaliação internacional do país em termos de competitividade e questiona veracidade dos dados disponibilizados pelo Fórum Económico Mundial. Segundo o ministro, os empresários e gestores que respondem ao estudo são demasiado pessimistas na avaliação do desempenho do país.

Cristina Bernardo

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Energética, Pedro Siza Vieira, afirmou esta segunda-feira que os ganhos de quota de mercado e o aumento do investimento estrangeiro contrariam a “estagnação” de Portugal nos rankings internacionais sobre competitividade. Pedro Siza Vieira considera que existe um “aparente paradoxo” em relação à avaliação internacional do país em termos de competitividade e questiona veracidade dos dados.

“[Nos ranking do Fórum Económico Mundial] caímos bastante em termos de competitividade de 2015 para 2016, mas, desde então, temo-nos mantido estáveis. Parece que o país está estagnado. Mas a verdade é que esta realidade que decorre deste índice contraria a forma de medir a evolução da economia”, afirmou Pedro Siza Vieira, numa conferência sobre os indicadores e posicionamento de Portugal nos rankings globais, realizado na AESE Business School, em Lisboa.

Pedro Siza Vieira considera que há um “paradoxo” na avaliação feita pelo Fórum Económico Mundial à competitividade de Portugal. Isto porque, de acordo com o ministro, a quota de mercado de Portugal tem aumentado a par com o investimento estrangeiro, o que mostra que a “economia portuguesa está a tornar-se mais competitiva”.

O ministro defende que é preciso “olhar com mais benevolência” para o índice do Fórum Económico Mundial, tendo em conta que este tem como fonte primária a avaliação que os gestores e empresários que respondem ao estudo dão os 103 indicadores apresentados e está, por isso, dependente dos seus “estados de alma”. Nas palavras do ministro, os inquiridos são demasiado pessimistas na avaliação do desempenho do país.

“Temos tendência para dizer mal do país, tal como dizia o escritor Eça de Queirós. Há um conjunto de indicadores onde não me parece que a nossa posição corresponda à posição que exercemos de facto”, afirmou o governante.

O governante exemplificou a tese com a posicionamento de Portugal em termos de burocracia, um dos indicadores avaliados pelo Fórum Económico Mundial. Portugal ocupa a 96.ª no conjunto de 141 países, quando no Product Market Regulation (da OCDE) aparece em 6.º lugar entre 34 países e no Doing Business (do Banco Mundial) aparece em 51.º lugar em 190 países.

O mesmo acontece com indicadores como a resolução de litígios, em que Portugal ocupa a 113.ª posição, atrás de países com menor desenvolvimento e maturidade institucional, como é o caso do Gana (43.º lugar), Zimbabué (92.º) ou a Nigéria (103.º).

Menos subjetivo é, para Pedro Siza Vieira, o ganho da quota de mercado e o investimento estrangeiro. Segundo o ministro, o ganho de quota de mercado aumentou 0,12 pontos percentuais em sete anos, o que se equivalente a um aumento de 15% na presença portuguesa do mercado europeu. Em termos setoriais, registou-se um aumento das exportações de material de transporte (81%), agroalimentar (63%) e produtos químicos (60%).

O ministro lembrou ainda que, no ano passado, o país ultrapassou, pela primeira vez, a fasquia dos 90 milhões de euros de exportações, equivalente a “cerca de 44% do PIB”.

De acordo com o Global Competitiveness Report, revelado em outubro do ano passado, Portugal manteve a 34.ª posição no índice do Fórum Económico Mundial (que mede a capacidade dos países de competirem com outras economias mundiais). Num total de 141 países analisados, Portugal ficou à frente da Eslovénia, Arábia Saudita e Polónia e atrás do Itália, Estónia, República Checa e Chile.

O relatório do Fórum Económico Mundial mostra, no entanto, que Portugal conseguiu um ligeiro aumento em termos de pontuação (de 70,2 para 70,4). O país consegue as melhores classificações em setores como as infraestruturas (21.º lugar), saúde (22.º) e dinamismo dos negócios (28.º). A pesar no ranking estão áreas como a estabilidade macroeconómica (62.º lugar), dimensão do mercado (51.º) e mercado de trabalho (49.º).

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