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Governo dos Açores recusa demissão de diretor regional do anterior executivo

Numa missiva a que agência Lusa teve acesso, datada de 24 de novembro, Tiago Lopes solicitou a cessação de funções de diretor regional da Saúde e, por inerência, da Autoridade de Saúde Regional, cargos que ocupou durante o governo socialista.
25 Novembro 2020, 21h48

O novo Governo dos Açores, liderado pelo PSD, rejeitou o pedido de demissão do diretor regional da Saúde e responsável pela Autoridade de Saúde Regional do anterior executivo do PS, por ainda não ter um substituto.

Numa missiva a que agência Lusa teve acesso, datada de 24 de novembro, Tiago Lopes solicitou a cessação de funções de diretor regional da Saúde e, por inerência, da Autoridade de Saúde Regional, cargos que ocupou durante o governo socialista.

“Renuncio, cessando as minhas funções, a partir das 00:00 do dia 25 de novembro de 2020, ao cargo de diretor regional da Saúde, bem como aos demais cargos que exerço por inerência, para que tome posse e assuma o mandato de deputado à Assembleia Legislativa Regional”, lê-se no documento.

Tiago Lopes foi eleito deputado pelo PS nas últimas eleições regionais como número dois pela lista da ilha Terceira.

O responsável pela Autoridade de Saúde Regional justifica a “indisponibilidade” para se manter em funções, tendo em conta o que foi “publicamente afirmado por parte do hoje [terça-feira] nomeado presidente do Governo Regional”, que disse querer “nomear de imediato o diretor regional da Saúde e o coordenar regional de saúde pública”.

Tiago Lopes propõe também a nomeação de Gustavo Tato Borges, indicado pelo governo do PSD, como coordenador regional de saúde pública para “facilitar a transição e evitar obstáculos de natureza formal”.

“Desde já manifesto a minha total disponibilidade para, assim que seja designado um novo titular para o cargo de diretor regional da saúde, proceder à transição de pastas”, acrescenta a carta.

Na resposta, o secretário regional da Saúde, Clélio Meneses, informa que as “funções deverão ser asseguradas em gestão corrente até à designação do novo titular”, que, “em caso algum, poderá exceder o prazo máximo de 90 dias”: “pelo exposto, não autorizo o pedido de renúncia”, lê-se na resposta datada igualmente de 24 de novembro.

Tiago Lopes foi o rosto da Autoridade de Saúde dos Açores ao longo da pandemia, tendo durante meses ‘entrado em casa’ dos açorianos por via dos pontos de situação diários da covid-19.

Em entrevista à agência Lusa, em 05 de outubro, o agora presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, criticou o “aproveitamento político” da candidatura de Tiago Lopes.

“É notoriamente um aproveitamento político. Mais evidente não pode ser. Isto é vantajoso para a maturidade orgânica dos órgãos de governo próprio da região, da autonomia e democracia dos Açores? Penso que não”, considerou o então presidente social-democrata.

Semanas depois Bolieiro defendeu que Tiago Lopes deveria ter “suspendido” as funções, por uma “questão ética” e de “imparcialidade”.

O Governo dos Açores criou uma Comissão Especial de Acompanhamento da Luta Contra a Pandemia de covid-19, área que funcionará no gabinete do secretário da Saúde e será tutelada pelo médico Gustavo Tato Borges, foi hoje anunciado.

O novo Governo dos Açores, formado por PSD, CDS e PPM, tomou posse na terça-feira na Assembleia Legislativa da região.

Com a entrada em funções, o novo executivo tem agora 10 dias para entregar à Assembleia Legislativa o programa de Governo.

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