Governo dos EUA exige libertação de tio de Juan Guaidó

Washington acusa Caracas de “inventar provas”, e que vai responsabilizar diretamente Nicolás Maduro pelo que acontecer a Juan Guaidó e à sua família.

O Governo norte-americano veio a público condenar a detenção do tio do autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó. A detenção teve lugar na terça-feira, 11 de fevereiro, à chegada de Juan Jose Marquez à capital venezuelana, Caracas, num voo proveniente de Lisboa, da companhia portuguesa TAP, que viajava com o próprio Juan Guaidó, depois de um períplo por vários países europeus, mas também os Estados Unidos.

Washington “exige a libertação imediata” de Juan Jose Marquez, considerando “absurdas” as acusações feitas pelas autoridades venezuelanas, que exemplificam “o aumento do desespero de Maduro e dos seus associados corruptos”.

O ministério dos Negócios Estrangeiros norte-americano aponta que “inventar provas para justificar detenções arbitrárias e politicamente motivadas é uma ferramenta comum do ilegítimo antigo regime de Maduro”.

O episódio provocou um aumento da tensão diplomática entre Lisboa e Caracas.  Na quinta-feira, o Governo venezuelano veio a público criticar a TAP de ter violado “padrões internacionais” por ter permitido o transporte de explosivos e por ter ocultado a identidade de Juan Guaidó no referido voo para Caracas.

Mais, o regime de Maduro acusa também o embaixador português em Caracas, Carlos Sousa Amaro, de interferir nos assuntos internos da Venezuela, por interceder pelo tio de Juan Guaidó, acusado de transportar explosivos a bordo deste voo.

Em resposta, o Governo português disse que “não vê sentido nenhum” nas acusações feitas pelo regime de Maduro contra Portugal e a TAP, e que a detenção de Juan José Marquez é uma “tentativa de intimidação” a Juan Guaidó.

O Governo dos Estados Unidos destaca que o aeroporto de Lisboa tem “um rígido controlo de segurança”, e que a própria TAP disse publicamente que é “impossível viajar com explosivos”.

Washington aponta que só em 2019 houve um total de 2.219 prisões arbitrárias na Venezuela, e mais de 15 mil entre 2014 e 2019. “Os Estados Unidos condenam os milhares de mortes, ataques e detenções arbitrárias que estão a ter lugar na Venezuela”.

“Vamos considerar totalmente responsáveis Nicolas Maduro e aqueles que o rodeiam pela segurança e bem estar da família do presidente interino Guaidó, e todos aqueles que defendem a democracia na Venezuela”, segundo o Governo norte-americano

Perante as acusações do regime venezuelano de que o Governo português está a agir em conivência com Juan Guaidó, Lisboa ordenou a abertura de um inquérito sobre esta questão.

“Face às declarações das autoridades venezuelanas referindo uma alegada falha de segurança num voo com origem em Lisboa, o ministro da Administração Interna determinou à IGAI a realização de uma averiguação para apuramento dos factos”, segundo comunicado da tutela de Eduardo Cabrita divulgado na sexta-feira.

 

Governo abre investigação a voo para a Venezuela após acusações à TAP

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O Ministério da Administração Interna determinou à IGAI uma “averiguação para apuramento dos factos”. Em causa estão acusações de conivência na tentativa de entrada de explosivos na Venezuela.
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