Governo prevê lançar ‘vouchers verdes’ de 30 mil euros para três mil startups até 2025

Entre as medidas do PRR está a aposta em “vouchers verdes” de 30 mil euros para três mil startups que desenvolvam novos modelos de negócios digitais e verdes, num investimento de 90 milhões de euros e 32 milhões de euros para aceleradoras da digitalização do comércio.

Segundo os detalhes do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) entregue à Comissão Europeia, o Governo vai desenvolver um programa de vouchers para startups voltadas para o digital e com forte componente verde, como o desenvolvimento de produtos e serviços digitais que promovam a “elevada eficiência na utilização de recursos”, “permitam a redução dos impactos da poluição”, “fomentem a economia circular”, “constituam novas soluções de produção energética” e/ou “se caracterizem pela utilização de dados abertos ou de Inteligência Artificial”.

Tendo como meta de concretização o terceiro trimestre de 2025, o Governo prevê um financiamento de 90 milhões de euros divididos por quatro anos. Este investimento será convertido em vouchers de 30 mil euros e irão abranger três mil startups, “mediante os critérios a definir para o acesso e a qualidade de candidaturas apresentadas” e o objetivo é que, à semelhança do “Startup Voucher”, as candidaturas sejam feitas através do IAPMEI.

“Considerando que o atual ecossistema contabiliza 2.500 startups registadas no StartupHub, o objetivo é aumentar este número para cinco mil até 2024. Pelo que é previsto num prazo de quatro anos, abranger metade do ecossistema com esta oportunidade de apoio ao desenvolvimento dos negócios no contexto da agenda verde e digital”, pode ler-se no PRR, que defende que esta quantia “pode ser decisiva em startups em fase de early stage“.

O programa será operacionalizado através de concursos lançados e promovidos pela estrutura nacional para o empreendedorismo “e deverá incluir mecanismos que incentivem a participação do sexo sub-representado”, segundo o Governo.

Os detalhes do PRR enviado a Bruxelas preveem ainda um vale para incubadoras/aceleradoras – espaços, normalmente com um grupo empresarial ou uma autarquia por trás onde as jovens empresas podem trabalhar e receber mentoria – investirem no seu desenvolvimento, tecnológica. Ou seja, adquirem mais recursos digitais para poderem apoiar as startups que são também elas cada vez mais digitais.

O Governo argumenta que estas estruturas têm um papel importante no sucesso e mesmo na sobrevivência das startups, uma vez que a taxa de sobrevivência passados 24 meses de estarem incubadas é de 86%.

O programa será por concurso promovido pela estrutura nacional para o empreendedorismo. “Os investimentos disponibilizados deverão ainda permitir um maior foco das incubadoras e aceleradoras em startups que possuam soluções e modelos de negócio de forte pendor digital (produtos e/ou serviços), no sentido de serem elas próprias catalisadores do processo de transição digital preconizado nesta componente”, explicita-se.

Aceleradoras do ‘e-commerce’ recebem 55 milhões de euros

O investimento em aceleradoras vai mais além. No plano de digitalização do comércio – para os quais estão afetos aproximadamente 135 milhões – há 55 milhões de euros destacados, ao longo de cinco anos, para aquelas que trabalharem na digitalização do comércio.

A iniciativa envolverá o lançamento de um roadshow pelo país para dar gás à transição digital de 30 mil pequenas e médias empresas (PME) do comércio e serviços e um sistema de incentivos no valor total de 23 milhões de euros. As 25 aceleradoras ficam com 32 milhões de euros: 1,28 milhões de euros cada uma.

Na base desta aposta do Executivo está o programa da ACEPI – Associação da Economia Digital que percorreu o país para ajudar os pequenos empresários a criarem websites e redes sociais para as suas lojas, minimercados, entre outros. “O que se pretende é uma multiplicação deste trabalho, estabelecendo, conjuntamente com diversos parceiros (i.e., entidades de natureza associativa), diversas aceleradoras que operem durante o decurso do programa”, defende o Governo.

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